Ciência e Tecnologia

O que está acontecendo com a Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Observações mostram que a maior tempestade do Sistema Solar muda de tamanho e comportamento

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

29/01/2026 • 00:55 • Atualizado em 29/01/2026 • 00:55

Imagens do Hubble mostram mudanças no tamanho da maior tempestade do Sistema Solar

Imagens do Hubble mostram mudanças no tamanho da maior tempestade do Sistema Solar

Unsplash

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é o cartão-postal do maior planeta do Sistema Solar: uma tempestade anticiclônica gigante, com ventos que ultrapassam 640 km/h e tamanho suficiente para engolir mais de uma Terra.

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Observada há pelo menos 190 anos, alguns pesquisadores sugerem até 350, ela sempre pareceu uma estrutura quase “eterna”. Mas dados recentes do Telescópio Espacial Hubble e da sonda Juno indicam que a mancha está mudando, e de forma impressionante.

Sim, ela está encolhendo e rápido

No século 19, a Grande Mancha Vermelha tinha um diâmetro capaz de acomodar três Terras lado a lado. Hoje, mal comporta uma Terra e meia. O encolhimento vem sendo documentado há mais de um século: registros astronômicos mostram que o tamanho diminui de forma quase constante. Entre 2014 e 2024, o ritmo se acelerou.

Imagens do Hubble revelam que, em períodos curtos — de alguns meses —, a mancha pode se contrair de forma abrupta, chegando a encolher cerca de 3.000 quilômetros em poucas semanas.

A principal questão é entender por que isso acontece. A resposta ainda é debatida. Simulações feitas por equipes da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA) sugerem que o crescimento e a manutenção da mancha dependem da “captura” de tempestades menores que circulam em Júpiter.

Quando esses sistemas são incorporados à Grande Mancha Vermelha, alimentam o vórtice e ajudam a sustentar sua estrutura. Nos últimos anos, porém, houve um declínio no número de tempestades menores na região, o que pode explicar a perda de “combustível” para manter o tamanho original.

Ela também está “balançando”, como uma bola de estresse

Em outubro de 2024, a Nasa divulgou um estudo surpreendente: além de encolher, a Grande Mancha Vermelha oscila. Dados coletados entre dezembro de 2023 e março de 2024 mostram que a tempestade se expande e se contrai em ciclos de aproximadamente 90 dias, como se fosse comprimida e solta, analogia a uma bola de borracha (ou gelatina, como popularizaram).

A descoberta indica que a mancha não é uma estrutura rígida, mas altamente dinâmica, respondendo a forças internas e à interação com correntes de jato ao redor.

A Grande Mancha Vermelha, em Júpiter, encolhe e passa a oscilar, segundo a Nasa | Crédito: Unsplash

A Grande Mancha Vermelha, em Júpiter, encolhe e passa a oscilar, segundo a Nasa | Crédito: Unsplash

Amy Simon, cientista planetária do Goddard Space Flight Center, da Nasa, e autora principal do estudo, comparou o comportamento ao de “apertar uma bola de estresse”.

Segundo ela, a oscilação pode estar ligada a ondas de energia que se propagam dentro da tempestade ou a mudanças em sua estrutura vertical, a mancha estaria ficando mais alta à medida que encolhe horizontalmente.

Ela vai desaparecer?

O futuro da Grande Mancha Vermelha segue incerto. Pesquisadores divergem entre a possibilidade de fragmentação, estabilização em um tamanho menor ou de que o fenômeno represente apenas mais um ciclo entre outras grandes manchas que já surgiram e desapareceram em Júpiter ao longo do tempo.

Observações realizadas até o início de 2026 indicam que o encolhimento continua, mas não há sinais imediatos de desaparecimento. A tempestade segue como um dos fenômenos atmosféricos mais importantes já observados fora da Terra.

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