
Luciano Moreira e Mariangela Hungria
Divulgação/World Mosquito Program/Academia Brasileira de Ciências
Resumo
Reconhecimento internacional foi concedido aos pesquisadores brasileiros Luciano Moreira e Mariangela Hungria pela revista Time em 2026, destacando o impacto prático de suas pesquisas em saúde e agricultura, com inclusão na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Metodologia inovadora criada por Luciano Moreira envolve a introdução da bactéria Wolbachia em mosquitos Aedes aegypti, reduzindo a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya, com aplicação em cidades brasileiras, resultados comprovados de diminuição de até 89% dos casos de dengue e produção em escala industrial.
Pesquisa pioneira de Mariangela Hungria desenvolveu o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio no cultivo de soja, promovendo sustentabilidade no agronegócio, reduzindo o uso de fertilizantes químicos em 85% das lavouras do Brasil, gerando economia bilionária, ganhos ambientais e reconhecimento internacional com o Prêmio Mundial da Alimentação.
Dois pesquisadores brasileiros ganharam destaque global ao integrar a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da Time em 2026. O reconhecimento a Luciano Moreira e Mariangela Hungria está diretamente ligado ao impacto prático de suas pesquisas — que vão do combate à dengue à transformação da agricultura.
Luciano Moreira: mosquitos modificados contra a dengue
Na categoria “Inovadores”, Luciano Moreira foi reconhecido por liderar uma estratégia científica que vem mudando o enfrentamento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
A pesquisa consiste na introdução da bactéria Wolbachia nos mosquitos. Esse microrganismo impede que os vírus se multipliquem dentro do inseto, reduzindo drasticamente a transmissão para humanos.
A tecnologia já é aplicada em diversas cidades brasileiras, com resultados expressivos: estudos apontam redução de até 89% nos casos de dengue em áreas onde os mosquitos modificados foram liberados. O projeto também opera em escala industrial, com uma biofábrica em Curitiba que produz milhões de insetos para controle biológico.
O impacto da iniciativa já havia sido reconhecido anteriormente: em 2025, Moreira entrou na lista da revista Nature dos cientistas que mais influenciaram a ciência naquele ano.
Mariangela Hungria: bactérias que revolucionaram o agronegócio
Na categoria “Pioneiros”, Mariangela Hungria foi destacada por décadas de pesquisa voltadas à sustentabilidade no campo. Seu trabalho se concentra no uso de microrganismos do solo para reduzir a dependência de fertilizantes químicos.
A cientista identificou bactérias capazes de fixar nitrogênio diretamente nas plantas — nutriente essencial para o desenvolvimento agrícola. A partir disso, foi desenvolvido um inoculante biológico aplicado nas sementes, especialmente na soja.
A tecnologia já domina cerca de 85% das lavouras do grão no Brasil, gerando uma economia bilionária e reduzindo impactos ambientais, como a emissão de gases e o uso de insumos químicos.
O reconhecimento internacional veio também em forma de prêmio: Hungria foi a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação, considerado o “Nobel da Agricultura”.
Ciência com impacto global
As trajetórias de Moreira e Hungria mostram como a ciência brasileira tem contribuído com soluções concretas para desafios globais. Seja no controle de epidemias ou na produção sustentável de alimentos, as pesquisas que levaram os dois à lista da Time têm em comum o uso de soluções biológicas inovadoras, com resultados já aplicados em larga escala.

