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Ciência e tecnologia

Sensores aéreos revelam marcas de antigas sociedades sob a floresta

Vista do chão, uma área coberta pela floresta pode não entregar qualquer sinal do que existe sob as árvores. Do alto, pulsos de laser conseguem atravessar

3 min

13/09/2026 07:00 • Atualizado há 41 dias

Sensores aéreos revelam marcas de antigas sociedades sob a floresta

Vista do chão, uma área coberta pela floresta pode não entregar qualquer sinal do que existe sob as árvores. Do alto, pulsos de laser conseguem atravessar pequenas aberturas entre folhas e galhos, alcançar o terreno e produzir um mapa tridimensional da superfície. Foi dessa maneira que centenas de estruturas construídas por populações pré-coloniais apareceram no sudoeste da Amazônia.

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A tecnologia responsável pelas imagens é o LiDAR, sigla em inglês para detecção e medição por luz. Instalado em aeronaves, o equipamento dispara pulsos de laser e calcula quanto tempo eles levam para retornar. Depois, programas removem digitalmente a vegetação dos registros e deixam visíveis diferenças de altura que seriam difíceis de reconhecer em uma fotografia aérea comum.

O levantamento cobriu 4.497 quilômetros quadrados nos estados do Acre e Amazonas.

Quando os dados foram processados, surgiram 432 estruturas de terra. Apenas 36 estavam documentadas anteriormente. As outras 396 incluem formas geométricas construídas com valas e elevações do terreno, algumas conectadas por caminhos retos.

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Círculos, quadrados e desenhos mais complexos não apareceram ali por acaso. Eles fazem parte de uma paisagem transformada por comunidades associadas à civilização Aquiry, nome usado pelos autores para identificar uma tradição cultural que ocupa extensa área do sudoeste amazônico. Algumas dessas construções começaram a surgir há mais de 2.500 anos e podem ter funcionado como espaços cerimoniais, políticos e de reunião.

A quantidade encontrada mudou também a dimensão da pergunta arqueológica. Os pesquisadores combinaram os novos registros com informações já disponíveis e estimaram que a região Aquiry, com cerca de 183 mil quilômetros quadrados, possa guardar entre 24 mil e 30 mil estruturas. Não significa que dezenas de milhares de construções tenham sido localizadas individualmente: trata-se de uma projeção baseada na densidade observada nas áreas examinadas.

Essa diferença é importante porque a floresta sempre impôs um limite à arqueologia amazônica. Vestígios localizados em áreas desmatadas são relativamente mais fáceis de identificar por satélite ou em levantamentos de campo. Onde a copa permanece fechada, uma construção de terra pode estar a poucos metros de uma pessoa e ainda assim passar despercebida. O levantamento arqueológico com LiDAR na Amazônia mostrou justamente quanto o conhecimento sobre essas paisagens pode mudar quando a vegetação deixa de funcionar como barreira visual.

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Os mapas também ajudam a revisar antigas interpretações sobre a ocupação humana da região. A análise estima que a área estudada possa ter sustentado entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes em seu período de maior concentração, entre os anos 100 e 300. Os próprios autores ressaltam que a dimensão sugerida pelos novos registros exige reconsiderar o impacto dessas populações sobre solos, florestas e biodiversidade.

Ainda há uma enorme diferença entre enxergar uma forma no terreno e compreender quem a construiu. Datação, escavações, vestígios de ocupação e comparação entre sítios continuam necessárias para interpretar cada lugar. O laser não substitui esse trabalho. Ele muda algo anterior: revela onde procurar.

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