Crise no BRB: governo do DF afasta servidores e tenta evitar calote
Afastamento ocorre após tentativa de compra de ativos do Banco Master; Moody's rebaixa nota de crédito e alerta para risco de default da instituição

O governo do Distrito Federal determinou o afastamento de servidores do Banco de Brasília (BRB) após a tentativa de aquisição de ativos do Banco Master. A decisão foi motivada pela insistência dos funcionários na operação, mesmo diante de indícios de fraudes nas carteiras de crédito e da negativa do Banco Central.
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O cenário de instabilidade no banco estatal, controlado pelo governo do Distrito Federal, foi agravado por uma crise de liquidez. O mercado financeiro questiona a saúde fiscal da instituição, que possui cerca de nove milhões de clientes e é uma das poucas estatais remanescentes do sistema bancário regional brasileiro.
Risco de default e rebaixamento da Moody's
A agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota de crédito do BRB nesta semana. Em relatório, a agência afirmou que a instituição financeira está próxima de um "default", termo técnico para calote, caso não receba um aporte massivo de capital de forma imediata.
A ausência da divulgação do balanço consolidado de 2023 também eleva a pressão sobre a transparência da gestão. O prazo legal para a apresentação dos dados financeiros terminou no dia 31 de março, mas o documento ainda não foi tornado público pela diretoria do banco.
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Em nota oficial, o BRB classificou a situação atual como transitória. A instituição informou que o governo do Distrito Federal já estruturou medidas de capitalização, com previsão de conclusão até o final de maio, para estabilizar as contas e tranquilizar os investidores.
Medidas emergenciais e recursos no STF
Para tentar conter o rombo financeiro, o governo do Distrito Federal anunciou a venda de imóveis públicos. A intenção é recompor o caixa da instituição e reduzir o déficit gerado pelas operações questionadas. Especialistas, no entanto, avaliam que os valores obtidos podem ser insuficientes para cobrir as perdas totais.
O banco também recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa da instituição solicita que parte de recursos judiciais seja destinada ao reequilíbrio financeiro do BRB, na tentativa de evitar que a crise de liquidez se agrave antes do encerramento das medidas de capitalização previstas para maio.
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O Banco Central acompanha o desdobramento do caso e monitora a solvência da instituição. Até o momento, a autoridade monetária não sinalizou intervenção direta ou liquidação extrajudicial, mas a operação de compra de ativos sem lastro do Banco Master segue sob investigação por suspeita de fraude.
Entenda o impacto da crise no BRB
O BRB é o principal agente financeiro do Distrito Federal e patrocinador de grandes clubes de futebol nacional. A crise institucional atinge o banco em um momento de expansão de sua base de clientes digitais, colocando em risco a confiança depositada por correntistas e investidores no modelo de gestão estatal.
A governadora Celina Leão reforçou que os afastamentos são medidas de segurança. Segundo a nota do governo, a ação visa proteger o patrimônio público enquanto as suspeitas de irregularidades em operações de crédito são devidamente apuradas pelos órgãos de controle.
