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Economia

EUA preparam maior revogação de vistos da história para até 200 mil pessoas

Medida atingirá titulares dos vistos B1 e B2 que pediram proteção no país e pode ser contestada nos tribunais

3 min

25/08/2026 09:32 • Atualizado há 60 dias

EUA preparam maior revogação de vistos da história para até 200 mil pessoas

O governo dos Estados Unidos se prepara para revogar, nas próximas semanas, os vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que solicitaram ou estão em processo de pedido de asilo no país, segundo documentos do Departamento de Estado e informações de autoridades obtidas pela agência Associated Press.

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Caso a medida seja confirmada, será a maior revogação em massa de vistos já realizada de uma só vez pelo governo americano e deve enfrentar contestações judiciais. O alvo são titulares dos vistos B1 e B2 emitidos entre 2016 e 2026 que, após ingressarem nos EUA como visitantes, buscaram proteção permanente.

Entenda quem pode ser atingido

Os vistos B1 são usados principalmente para viagens de negócios de curto prazo, enquanto os B2 são concedidos para turismo, visitas familiares ou tratamento médico. Não está claro, a partir dos documentos e das declarações de autoridades, quantos desses viajantes pediram asilo e poderão ser afetados pelas revogações.

De acordo com funcionários ouvidos sob condição de anonimato, a revogação dos vistos não implicará deportação imediata. A maioria das pessoas com pedidos de asilo pendentes deverá ter o status migratório ajustado, mas deixará de ser considerada visitante de negócios ou turista.

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Coordenação com órgãos de segurança

O Departamento de Estado afirma que atua em coordenação com o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) para implementar a medida. "Estamos coordenando com o DHS para identificar e revogar os vistos de não imigrante de estrangeiros que vieram aos EUA alegando ser visitantes de curto prazo, mas depois solicitaram asilo para permanecer no país permanentemente", disse o porta-voz Tommy Pigott.

Pigott evitou detalhar o número de vistos que podem ser cancelados. Ele declarou que, por se tratar de um processo contínuo, o volume de revogações é dinâmico e ocorrerá de forma gradual.

Trump endurece regras para vistos

Desde que Donald Trump assumiu o segundo mandato como presidente dos EUA, no ano passado, o governo tem ampliado gradualmente as exigências para quem pretende obter vistos de entrada no país. Entre as novas regras estão a solicitação de mais informações sobre o histórico dos candidatos nas redes sociais, a cobrança de depósitos elevados para o processamento e a restrição de vistos para cidadãos de determinados países.

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Em publicação nas redes sociais, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, criticou pessoas que, segundo ele, usam vistos de turismo e negócios para entrar nos EUA e em seguida pedem asilo. "As pessoas nos EUA e em todo o mundo estão cansadas de pedidos de asilo fraudulentos. O asilo não deveria ser uma brecha para contornar a legislação de imigração", escreveu Landau, citando o caso de um colombiano que entrou com visto de turismo em 2015 e depois solicitou proteção.

Outras ações de restrição migratória

Os atuais solicitantes dos vistos B1 e B2 são orientados a declarar que não pedirão asilo nos Estados Unidos e a comprovar que pretendem retornar aos países de origem. Nos últimos 18 meses, o Departamento de Estado já revogou cerca de 175 mil vistos de pessoas condenadas ou acusadas de crimes, que vão de dirigir embriagado a estupro e roubo, além de indivíduos que se manifestaram publicamente contra políticas dos EUA, especialmente no Oriente Médio.

O governo também intensificou o combate ao chamado turismo de nascimento, prática na qual mulheres estrangeiras grávidas viajam aos Estados Unidos para dar à luz, garantindo cidadania aos filhos pelo direito de nascimento. Trump tentou diversas vezes acabar com essa regra, mas as iniciativas foram rejeitadas pelos tribunais, incluindo a Suprema Corte.

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Segundo documentos obtidos pela Associated Press, a análise dos atuais titulares de vistos B1 e B2 começou após o Departamento de Estado receber informações sobre pedidos de asilo do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS, na sigla em inglês). A medida se insere no esforço mais amplo da atual administração para restringir o acesso ao país por meio de vistos e pedidos de proteção.

Com informações do Estadão Conteúdo.