Famílias multiespécie transformam mercado imobiliário brasileiro
Com mais de 160 milhões de animais no país e setor movimentando R$ 77 bilhões, compradores passam a priorizar áreas verdes, caminhabilidade e infraestrutura urbana integrada para os pets

A consolidação das chamadas famílias multiespécie — lares formados por humanos e seus animais de estimação com status de membros da família — está redefinindo as regras do mercado imobiliário brasileiro. Com a terceira maior população pet do planeta, estimada em cerca de 160 milhões de animais, o país já não enxerga cães e gatos apenas como companhia, mas como protagonistas na decisão de compra do novo imóvel.
Continua depois da publicidade
O impacto vai além do comportamento e movimenta cifras bilionárias. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o mercado pet nacional faturou expressivos R$ 77,2 bilhões em 2025. Agora, esse poder econômico transborda para o urbanismo: na hora de escolher onde morar, os compradores deixaram de olhar apenas para a metragem e a localização tradicional para avaliar a qualidade de vida que o entorno oferece aos animais.
Além do "pet place": a exigência pelo espaço urbano
Se há alguns anos ter um pequeno pet place ou espaço cercado na área comum do condomínio era diferencial suficiente, o perfil atual do comprador exige muito mais. Calçadas largas e seguras, arborização, sombras ao longo do trajeto, contato direto com a natureza e oferta de serviços essenciais nas redondezas tornaram-se itens indispensáveis na lista de prioridades.
“Quem convive com um pet não avalia apenas a casa ou o terreno. Também observa onde poderá caminhar, se há natureza, segurança e serviços próximos. Os animais fazem parte da rotina familiar, e o entorno passou a ter um peso maior nessa decisão”, explica Jaqueline de Souza Laus, responsável pelas áreas de marketing e relações institucionais da Novo Ambiente Urbanismo.
Continua depois da publicidade
Bairros planejados lideram a adaptação às novas demandas
Para responder à complexidade das famílias multiespécie, o mercado imobiliário começa a migrar o foco dos condomínios fechados isolados para a escala dos bairros planejados. Projetados desde a planta para integrar convivência, mobilidade ativa e comércio de proximidade, esses empreendimentos têm atraído quem busca uma rotina sem atritos para passear e cuidar dos animais.
Um exemplo dessa tendência é o Rioparque, bairro planejado desenvolvido pela Novo Ambiente Urbanismo em Tijucas (SC). Distribuído em uma área de 460 mil metros quadrados, o projeto foi concebido para conectar os moradores ao ambiente externo por meio de:
Parque linear: percurso de aproximadamente dois quilômetros aberto ao público;
Continua depois da publicidade
Mobilidade ativa: ciclovias integradas e percursos contínuos e seguros para pedestres;
Convivência e natureza: ruas amplamente arborizadas e praças integradas;
Serviços no entorno (Open Mall): polo de comércio, gastronomia e facilidades como clínicas veterinárias e pet shops a poucos passos de casa.
Continua depois da publicidade
A presença de serviços especializados a uma curta caminhada de distância não apenas melhora o bem-estar dos animais, mas também otimiza o tempo dos tutores, reduzindo deslocamentos de carro no dia a dia.
O futuro do morar integrado
A transição mostra que o urbanismo contemporâneo precisa acompanhar as mudanças nas estruturas familiares. Integrar segurança, infraestrutura viária acessível e áreas de lazer ao ar livre já não é um luxo, mas uma necessidade mercadológica. “Quando o bairro é pensado desde o início, é possível integrar mobilidade, áreas abertas, segurança e serviços de forma mais eficiente e que atendam a esse perfil de comprador, que considera os espaços de convivência para o pet na hora da compra”, conclui Ricardo Laus, fundador e CEO da Novo Ambiente Urbanismo.
Fique por dentro das últimas
notícias
