Economia

Juros custam R$ 515 bi aos brasileiros e inadimplência avança

Comprometimento da renda atinge 14,64%, impulsionado por taxas mais altas e maior volume de dívidas em atraso

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29/10/2026 13:36 • Atualizado há 2 horas

Juros custam R$ 515 bi aos brasileiros e inadimplência avança

As famílias brasileiras gastaram cerca de R$ 515,4 bilhões com o pagamento de juros no primeiro semestre de 2026. O montante representa um avanço de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025 e uma alta de quase 17% na comparação com os primeiros seis meses de 2024. Os dados foram divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

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De acordo com o levantamento, a parcela da renda familiar comprometida exclusivamente com o pagamento de juros chegou a 14,64% no período. O cenário reflete o encarecimento do crédito: a taxa nominal ponderada acumulada pelas pessoas físicas subiu de 24,3% para 25,3% ao ano, enquanto a taxa média mensal equivalente avançou de 3,69% para 3,83%.

Deterioração na capacidade de pagamento

Apesar do aumento de 7,4% na massa de renda familiar — que passou de R$ 3,278 trilhões para R$ 3,521 trilhões —, a alta nos custos financeiros reduziu o espaço disponível para o consumo e a poupança.

O impacto severo sobre o orçamento das famílias reflete-se diretamente nos índices de atraso. O valor total da inadimplência das pessoas físicas avançou 20,3%, somando R$ 186,9 bilhões. A taxa de inadimplência das operações com atraso superior a 90 dias passou de 6,5% para 7,37%. Em dois anos, o indicador acumula alta de 1,78 ponto porcentual, já que registrava 5,59% no primeiro semestre de 2024.

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Ainda assim, o apetite pelo crédito manteve-se resiliente. Em termos reais, o saldo consolidado do crédito livre para pessoas físicas cresceu 6,1%, somando R$ 2,353 trilhões, enquanto as novas concessões avançaram 5,1%, atingindo R$ 2,025 trilhões e sustentando parte importante do consumo interno.

Panorama empresarial

No setor corporativo, os juros pagos pelas empresas no primeiro semestre somaram R$ 158,6 bilhões, patamar estável frente aos R$ 158,1 bilhões do mesmo período de 2025. No entanto, o encarecimento das operações também afetou os negócios: a taxa nominal ponderada subiu de 10,5% para 11% ao ano, e a taxa média mensal foi a 1,76%.

O saldo total inadimplente das empresas cresceu 10,7%, passando de R$ 58,3 bilhões para R$ 64,5 bilhões. Como consequência, a taxa de inadimplência empresarial saltou de 3,51% para 3,98%, consolidando a trajetória de alta iniciada em 2024.

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Considerando o resultado consolidado entre famílias e empresas, o total pago em juros na economia brasileira alcançou R$ 674 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, alta de 7,4%. Já o estoque global de valores em atraso há mais de 90 dias atingiu R$ 251,4 bilhões, representando um crescimento de 17,7% em um ano.

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