Reação do mercado encarece crédito para empresas e gera alerta de recessão
Reversão nas expectativas fiscais derruba a Bolsa, dispara o dólar e trava operações cambiais

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O Ibovespa registrou uma queda drástica de até 16% nesta segunda-feira (26), acompanhada por uma disparada do dólar. O movimento reflete uma correção abrupta nas posições do mercado financeiro após a apuração das urnas contrariar as projeções predominantes do mercado financeiro.
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Segundo Juliano de Lara Fernandes, sócio e gestor da Armada Asset, o mercado operava posicionado para uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro — desfecho que vinha sendo precificado com base em pesquisas e cotações de casas de apostas. Esse cenário anterior embutia a expectativa de maior rigor fiscal e corte nas taxas de juros.
Com o resultado consumado nas urnas, a incerteza fiscal voltou ao centro do radar, deflagrando uma liquidação em cadeia de ativos brasileiros. "Essa queda de 16% do Ibovespa está diretamente relacionada à ruptura da expectativa de eleição de Flávio Bolsonaro, que vinha acompanhada de uma promessa de controle fiscal e queda dos juros", destaca Fernandes.
Custos mais altos e alerta de recessão
A reação imediata se deu na curva de juros futuros, que abriu em forte alta. Na visão do gestor, o encarecimento do crédito atinge em cheio as empresas listadas na B3, elevando as despesas financeiras operacionais e a rolagem de dívidas, o que comprime margens e lucros futuros.
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"Isso representa um custo maior para as empresas, o que acaba gerando menos lucro e também uma expectativa de possível recessão a partir de 2027", alerta Fernandes. Enquanto não houver sinalizações claras sobre o equilíbrio das contas públicas, a tendência é de que os preços das ações continuem penalizados pela dinâmica de juros elevados.
Volatilidade trava o câmbio
A disparada do dólar gerou atritos operacionais no mercado cambial ao longo da manhã. O avanço acelerado da moeda norte-americana bateu nos limites de oscilação dos contratos futuros na B3, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter a volatilidade excessiva.
Fernandes aponta ainda distorções entre as cotações teóricas e as praticadas nas mesas de operação: corretoras passaram a embutir prêmios de risco adicionais, impedindo que investidores comprassem a moeda pelas taxas exibidas nos terminais.
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Estratégia defensiva e marcação a mercado
Diante da mudança de cenário, a consultoria revisou suas projeções macroeconômicas de um otimismo moderado para uma postura pessimista. A gestora já vinha priorizando desde o começo do ano uma carteira blindada contra solavancos políticos e fiscais.
A alocação inclui:
- Dólar e ativos defensivos: Proteção cambial contra choques domésticos.
- Títulos atrelados à inflação (IPCA+): Concentram a maior fatia do patrimônio sob gestão, com o objetivo de assegurar juros reais no longo prazo.
Mesmo com o impacto negativo imediato da marcação a mercado sobre os títulos de renda fixa, Fernandes reforça que a recomendação é carregar esses papéis até o vencimento, preservando a taxa contratada.
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Para os próximos meses, o foco total do mercado estará na composição da futura equipe econômica e no anúncio das diretrizes para a política fiscal. Caso as quedas continuem acentuadas, o gestor avalia que ativos sobrevendidos podem gerar janelas atrativas de entrada, contanto que obedeçam a critérios rígidos de gestão de risco.
