Economia

13º salário não é 'extra': veja como planejar e evitar dívidas no próximo ano

Planejadora financeira explica que o recurso deve ser encarado como parte do salário e usado de forma estratégica para cobrir gastos anuais.

Da redação
DA REDAÇÃO

07/11/2025 • 10:58 • Atualizado em 07/11/2025 • 10:58

Dinheiro

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José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Com a chegada do fim do ano, milhões de trabalhadores de carteira assinada recebem o 13º salário. No entanto, o recurso não deve ser visto como uma renda "extra", mas sim como uma ferramenta fundamental para o planejamento financeiro, capaz de aliviar o orçamento dos meses seguintes e evitar o endividamento.

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Para a planejadora financeira Fernanda Prado, essa mudança de mentalidade é essencial para usar o dinheiro da maneira correta e de forma estratégica. Na realidade, o 13º salário é parte do que o profissional trabalhou e produziu ao longo do ano. A única diferença é que essa parte do salário é paga de forma concentrada, em parcela única ou dividida em duas vezes. Ao encará-lo como um “extra”, a tendência é gastá-lo de forma impulsiva, sem dar o devido valor ao esforço de produção.

“O 13º é um recurso importante para o planejamento financeiro, não um prêmio. Ele pode (e deve) ser usado de forma estratégica para aliviar o orçamento dos meses seguintes ou adiantar metas financeiras”, disse.

Mapeamento de despesas e aplicação do recurso

O primeiro passo para usar o 13º salário de forma correta e não se enrolar nas contas do começo do ano é realizar o mapeamento de todas as despesas eventuais. A especialista orienta que sejam listados os impostos, os gastos com educação e a manutenção do carro, com os respectivos valores. É importante considerar, inclusive, a possibilidade de pagar à vista com desconto.

Segundo a especialista, com essa visão clara, o trabalhador consegue saber se o 13º será suficiente para cobrir todos os gastos que chegam com a virada do ano. Caso o valor seja suficiente, basta planejar o uso dessa parte do salário para o pagamento dessas despesas. Caso falte algo, a orientação é reservar uma parte a mais do salário regular para integralizar e cobrir todos os extras.

Prioridades: Dívidas, reserva de emergência e investimentos

Não existe uma fórmula única que seja ideal para todas as famílias, pois a melhor estratégia depende da situação financeira de cada pessoa. O planejamento financeiro deve ser construído de forma "personalizada", considerando uma certa prioridade na divisão do dinheiro.

A ordem de prioridade sugerida por Fernanda Prado é:

  1. Separar os recursos necessários para cobrir os gastos essenciais, como alimentação, moradia, saúde e transporte.
  2. Separar o dinheiro para as dívidas prioritárias, especialmente financiamentos, pois existe sempre um bem dado como garantia.
  3. Separar um percentual da renda para poupar para objetivos importantes, priorizando a formação da reserva de emergência e, depois, a aposentadoria.

Para quem não tem dívidas, a prioridade máxima é investir para formar a reserva de emergência. A especialista indica que a reserva seja tratada como prioridade, utilizando estratégias mais conservadoras, como investimentos em renda fixa com possibilidade de resgate ágil.

Uma boa prática é ter o equivalente a cerca de seis meses de gastos fixos poupados e investidos em alguma aplicação que separe o dinheiro de outros recursos. A reserva deve ser usada apenas em situações de emergência, como despesas de saúde não planejadas, problemas com o carro, manutenção do imóvel ou adoecimento de um animal de estimação.

Após formar a reserva de emergência, o trabalhador pode investir para outros objetivos, incluindo a reserva de longo prazo para a aposentadoria ou projetos diversos, como estudos ou a aquisição de um carro. Prado ressalta que o ideal é que cada investimento tenha um propósito claro, o chamado “goal-based investing” (investimento orientado a objetivo), para buscar estratégias adequadas a cada projeto.

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