
Trump ameaça sistema de pagamentos brasileiro: 'desleal" com empresas americanas
Reprodução: EFE/EPA/Yuri Gripas
O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX, voltou a ser alvo de duras críticas por parte do governo dos Estados Unidos. Em um novo capítulo das tensões comerciais entre os dois países, Washington acusa o Banco Central do Brasil (BC) de favorecer o sistema em detrimento de empresas americanas que operam no setor de pagamentos e tecnologia financeira.
A principal queixa dos EUA reside no desenho institucional do sistema. Segundo o governo americano, o Banco Central atua simultaneamente como regulador do mercado e operador do sistema, uma "dupla função" que, na visão americana, cria um ambiente de concorrência desigual.
O PIX como pivô de uma guerra comercial
As críticas ao sistema brasileiro não são apenas retóricas; elas fundamentam medidas protecionistas severas. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) utilizou esses argumentos como justificativa para uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A taxação é o resultado de uma investigação comercial contra o que os americanos classificam como "práticas abusivas". Para os negociadores dos EUA, o modelo do PIX:
Limita a atuação de concorrentes estrangeiros.
Cria barreiras para empresas que não possuem a mesma integração estatal.
Favorece a soberania digital brasileira de forma que prejudica o livre mercado.
O embate com as gigantes dos cartões
Por trás da disputa técnica sobre regulação, há um impacto financeiro direto em gigantes do setor de pagamentos. O PIX, que é gratuito para pessoas físicas e possui custos operacionais drasticamente inferiores aos de outras modalidades para empresas, tornou-se o principal rival de operadoras de cartões de crédito americanas, como Visa e Mastercard.
Diferente do modelo de cartões, que envolve taxas de intercâmbio e processamento que beneficiam essas bandeiras, o PIX opera em uma rede infraestrutural gerida pelo Estado brasileiro, o que reduziu a dependência do comércio local em relação aos serviços dessas multinacionais.
O impacto do PIX: Desde sua implementação, o sistema brasileiro é observado por diversos países como um modelo de inclusão financeira, mas o rápido domínio do mercado despertou o alerta de Washington sobre a perda de espaço das empresas de tecnologia financeira (fintechs) e processadoras de pagamentos dos EUA.
O Banco Central do Brasil tem defendido historicamente que o PIX é um bem público que promove a eficiência e a redução de custos para o consumidor, mantendo o sistema aberto para que instituições financeiras — inclusive as estrangeiras — ofereçam serviços sobre essa plataforma. O governo brasileiro ainda não detalhou como pretende responder à ameaça de tarifas de 25% em fóruns internacionais como a OMC.
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