O governo norte-americano anunciou, na segunda-feira (1) uma nova proposta de taxação aos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Desta vez, a tarifa é de 25% e, segundo Donald Trump, a decisão é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O órgão classificou as políticas comerciais do Brasil como "irrazoáveis" e prejudiciais às empresas norte-americanas. Entre os alvos da administração Trump estão o sistema Pix, barreiras ao etanol e a regulação de plataformas digitais.
A investigação do USTR focou em setores estratégicos da economia brasileira. O governo dos Estados Unidos alega que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, o Pix, favorece a autoridade monetária em detrimento de operadoras de cartão norte-americanas.
Os norte-americanos também questionam a demora na análise de patentes farmacêuticas e barreiras impostas ao mercado de biocombustíveis, especificamente ao etanol. A taxação de 25% é vista como uma forma de pressionar o governo brasileiro a revisar tais políticas.
A base legal utilizada, a "Seção 301", é a mesma ferramenta que Trump aplicou contra a China durante seu primeiro mandato. A ação atual também é interpretada como uma manobra técnica para contornar barreiras jurídicas enfrentadas em 2025, quando uma tentativa anterior de taxação foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA. “O impacto é alto para o Brasil e cerca de 45% dos bens exportados aos Estados Unidos”, avalia o professor Daniel Vargas, da FGV.
Produtos que ficam de fora do "tarifaço"
Apesar da abrangência da proposta, o governo dos Estados Unidos decidiu manter isenções para produtos fundamentais da pauta de exportação do agronegócio e da indústria brasileira. Itens de grande peso na balança comercial não serão atingidos pelo aumento tributário.
Ficam de fora desta nova taxação a carne bovina, café em grãos, aeronaves e partes, petróleo bruto, fertilizantes e terras raras.
A manutenção da isenção para a carne bovina e o café é estratégica, uma vez que o Brasil é um dos principais fornecedores globais dessas commodities. O setor de fertilizantes também foi preservado para evitar impactos diretos nos custos de produção dos próprios agricultores norte-americanos.
Ameaça aos BRICS
O anúncio marca o início de um processo formal. A lista definitiva dos produtos afetados, com seus respectivos códigos tarifários, será publicada apenas após uma audiência pública marcada para o dia 6 de julho de 2026. Vargas explica, porém, que o governo norte-americano tem limites para impor decisões, como as tarifas. No caso da normativa 301, que é precedida por investigação e será submetida a consulta pública e receberá informações fornecidas pelo governo brasileiro para ser aprovada.
Há também um componente geopolítico na decisão. Em julho de 2025, o presidente Donald Trump já havia ameaçado impor uma tarifa extra de 10% a países alinhados às políticas do bloco BRICS, do qual o Brasil faz parte.
O mercado agora aguarda o posicionamento oficial do Ministério da Agricultura e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para avaliar possíveis medidas de retaliação ou negociações diplomáticas.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
