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Mesmo com tarifaço de Trump, exportações do agronegócio têm aumento de 8,5%

Tarifaço imposto por Trump não impede o setor de aumentar as exportações e receita chega a US$ 15,4 bilhões em outubro

VIVIANE TAGUCHI

14/11/2025 • 10:59 • Atualizado em 14/11/2025 • 10:59

Produtos não tradicionais, como o amendoim, ajudaram a aumentar as exportações

Produtos não tradicionais, como o amendoim, ajudaram a aumentar as exportações

Sebastião de Araújo

Resumo

Exportações do agronegócio brasileiro cresceram 8,5% em outubro, atingindo US$ 15,49 bilhões, apesar das barreiras impostas pelos Estados Unidos, com superávit de US$ 13,7 bilhões e destaque para soja em grão, carne bovina e açúcar como principais produtos exportados.

Mercado internacional foi liderado pela China, que respondeu por 32% das vendas, seguida por União Europeia, Estados Unidos, Egito, Índia e Irã, evidenciando a diversificação dos destinos e o protagonismo asiático nas compras de soja e carne bovina brasileiras.

Itens não convencionais, como amendoim, pimenta seca, sementes de oleaginosas, café solúvel, miudezas e sebo bovino, registraram recordes de exportação em valor e volume, impulsionados pela abertura de 28 novos mercados internacionais e pela estratégia de diversificação promovida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

As exportações de produtos do agronegócio aumentaram 8,5% em outubro, em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo com o tarifaço de Trump, que praticamente bloqueou os embarques de itens como café, frutas, pescados e carnes para os Estados Unidos. No mês, os embarques brasileiros somaram US$ 15,49 bilhões, informou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nesta sexta-feira (14). Na contramão, segundo o ministério, as importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,79 bilhão, resultando em superávit de aproximadamente US$ 13,7 bilhões.

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Produtos não convencionais da pauta de exportações brasileiras, como pimenta seca, amendoim e sebo bovino, por exemplo, contribuíram para aumentar as vendas externas no período. Mas a soja em grão, carne bovina e açúcar continuam liderando a lista de itens mais exportados pelo Brasil, principalmente para a China, o maior importador.

O desempenho, de acordo com o Mapa, foi sustentado pelo aumento de 10,1% no volume embarcado, em um cenário de recuo de 1,4% nos preços médios internacionais. O mês de outubro manteve a sequência de resultados elevados observada no segundo semestre: em julho, as exportações do agro somaram US$ 15,6 bilhões, e em setembro, US$ 14,95 bilhões, sinalizando patamar próximo de US$ 15 bilhões mensais.

Na lista dos produtos mais exportados, estão a soja em grãos, carne bovina, café, açúcar, milho, celulose, carne de frango e carne suína registraram recordes de valor ou volume. A China foi o principal destino das exportações brasileiras, com US$ 4,95 bilhões (32% do total exportado pelo agro no mês), impulsionada principalmente por soja em grãos e carne bovina. Em seguida aparecem União Europeia e Estados Unidos, além de mercados como Egito, Índia e Irã, que reforçam a diversificação geográfica das exportações brasileiras, especialmente na Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

Entre os meses de janeiro e outubro deste ano, as exportações do agronegócio somaram US$ 141,97 bilhões, crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 17 bilhões, alta de 4,9% na comparação com 2024, resultando em superávit de US$ 124,97 bilhões, ligeiramente acima do registrado em igual intervalo do ano passado.

Exportações de itens não convencionais

Segundo Ministério, produtos menos tradicionais da pauta exportadora também contribuíram para o desempenho positivo em outubro. Entre eles, estão o amendoim, pimenta seca, sementes de soja e café solúvel. No geral, os produtos menos tradicionais da pauta exportadora incrementaram 9,1% em outubro e 17,9% no acumulado do ano (janeiro a outubro), em relação a igual período de 2024.Veja a lista completa:

  • Amendoim: recorde em volume, com 33 mil toneladas (+85,3%);
  • Rações para animais de estimação: recorde em valor, com US$ 43,2 milhões (+42,7%);
  • Café solúvel: recorde em valor (US$ 101 milhões; +32,8%) e volume (8 mil toneladas; +11,3%);
  • Sementes de oleaginosas (exceto soja): recordes de valor (US$ 69,8 milhões; +41,8%) e quantidade (68,6 mil toneladas; +77%);
  • Pimenta piper seca, triturada ou em pó: recorde em valor, com US$ 435,7 milhões;
  • Miudezas bovinas: recorde em quantidade, com 25,2 mil toneladas (+29,6%);
  • Sebo bovino: recorde em valor (US$ 431,03 milhões) e quantidade (390,41 mil toneladas);
  • Feijões secos: recorde em valor (US$ 379,73 milhões) e quantidade (452,88 mil toneladas).

Segundo o Mapa, esses itens estão ganhando espaço no mercado internacional devido à estratégia de abertura e ampliação de mercados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em outubro, 28 novos mercados foram abertos, o equivalente a quase uma nova oportunidade por dia para empresas que buscam diversificar sua atuação internacional.