Economia

Quem comprou a Varig? O processo de venda e o sumiço da marca

Unidade operacional VRG mudou de mãos entre 2006 e 2007 e acabou integrada à Gol, que tirou a estrela dourada dos aeroportos brasileiros

Da redação
DA REDAÇÃO

20/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 20/07/2026 • 07:00

Quem comprou a Varig? O processo de venda e o sumiço da marca

Quem comprou a Varig? O processo de venda e o sumiço da marca

Divulgação/Wikimedia Commons

A trajetória da antiga companhia gaúcha Varig em recuperação judicial, iniciada em 2006, levou à criação da Nova Varig (VRG Linhas Aéreas), vendida à VarigLog e, depois, incorporada pela Gol, que absorveu seus ativos e encerrou de vez a presença da marca nos céus do Brasil.

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O desmembramento dos ativos da Varig durante o processo de recuperação judicial em 2006 marcou o início de uma reconfiguração significativa na aviação comercial brasileira.

Para tentar preservar as operações e isolar os passivos, o Poder Judiciário autorizou a divisão da companhia em duas unidades operacionais com destinos distintos.

O leilão judicial e o controle da VarigLog

A unidade estruturalmente saudável da empresa, batizada de "Nova Varig" (VRG Linhas Aéreas), reuniu a marca, os direitos de pouso e decolagem (slots) em aeroportos congestionados, a subsidiária regional Rio Sul e as concessões de rotas nacionais e internacionais.

Esse conjunto de ativos ficou isolado de todo o passivo histórico de dívidas fiscais, trabalhistas, cíveis e previdenciárias da empresa original, conhecida como "Velha Varig".

Em junho de 2006, a Nova Varig foi vendida em leilão judicial por US$ 28 milhões para a VarigLog, subsidiária de transporte de cargas que a Volo do Brasil (consórcio controlado pelo fundo norte-americano Matlin Patterson e por três investidores brasileiros) já havia adquirido no fim de 2005.

Apesar das promessas de reestruturação feitas pela nova controladora, a crise operacional se aprofundou rapidamente.

Em 20 de julho de 2006, a Nova Varig cancelou quase todas as suas rotas domésticas e internacionais, mantendo ativa apenas a Ponte Aérea Rio-São Paulo em uma malha que antes alcançava dezenas de países.

Oito dias depois, em 28 de julho de 2006, a administração anunciou a demissão em massa de 5.500 funcionários, o equivalente a 60% de todo o quadro ativo, o que provocou greves e protestos imediatos em aeroportos de todo o país.

A incorporação pela Gol em 2007

Sem fôlego financeiro e capacidade operacional para competir de forma independente em um mercado desregulamentado, a Nova Varig tornou-se alvo de aquisição por concorrentes mais capitalizados.

Em 9 de abril de 2007, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes anunciou a compra da VRG Linhas Aéreas por US$ 320 milhões.

A operação teve caráter estratégico para a Gol, que incorporou os direitos de tráfego aéreo e os slots da antiga companhia, além de absorver aeronaves remanescentes de sua frota, composta majoritariamente por jatos Boeing.

Com esses ativos, a Gol ampliou sua presença em aeroportos-chave e acelerou a consolidação como uma das principais empresas do mercado doméstico e regional de passageiros.

O desaparecimento da marca

Após assumir o controle da VRG Linhas Aéreas, a Gol manteve por um curto período uma estrutura separada para os voos identificados como Varig.

Na prática, porém, a estratégia de longo prazo priorizou a unificação das operações e o ganho de eficiência sob uma única plataforma.

Gradualmente, a Gol absorveu os ativos da VRG e passou a retirar o nome Varig de suas frentes comerciais.

Os voos que ainda utilizavam a tradicional identidade visual migraram para a marca da própria Gol, o que levou ao encerramento definitivo das atividades associadas à estrela dourada e à rosa-dos-ventos nos aeroportos brasileiros.

A empresa original, a "Velha Varig", continuou a operar por algum tempo sob a marca Flex Linhas Aéreas, realizando voos comissionados para a Gol, mas encerrou seu último voo comercial em novembro de 2009.

Em agosto de 2010, a Justiça decretou a falência definitiva da antiga Varig e de suas subsidiárias regionais, Rio Sul e Nordeste, consolidando o desaparecimento completo da companhia que, por décadas, representou o Brasil no cenário internacional.

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