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Alckmin diz que é 'totalmente descabida' nova tarifa de 25% dos EUA

Casa Branca recomendou tarifaço ao Brasil com alegação de práticas restritivas ao comércio americano

Da redação
DA REDAÇÃO

02/06/2026 • 13:56 • Atualizado em 02/06/2026 • 14:01

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta terça-feira (2), que o governo brasileiro recebeu com profunda "indignação" a recomendação dos Estados Unidos para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. O novo tarifaço precisa de aprovação de Donald Trump.

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Em pronunciamento à imprensa, Alckmin classificou a medida como "totalmente descabida" e destacou que a balança comercial entre os dois países já é historicamente favorável aos norte-americanos.

Nós recebemos com indignação essa recomendação. Ela é totalmente descabida, porque o Brasil tem um comércio superavitário para os Estados Unidos. O ano passado, os Estados Unidos tiveram US$ 40 bilhões de superávit no comércio com o Brasil. O Brasil compra muito mais dos Estados Unidos do que vende.

Segundo o vice-presidente, não há justificativa econômica para a sobretaxa, uma vez que os Estados Unidos registraram um superávit na relação comercial com o Brasil no ano anterior. O governo brasileiro argumenta que a imposição de barreiras pode prejudicar as economias de ambos os países.

Para reverter a recomendação e evitar que a taxação entre em vigor, o governo Lula adotará uma estratégia baseada no diálogo e em parcerias estratégicas. O foco inicial será uma ofensiva diplomática por meio de conversas diretas com as autoridades norte-americanas, apresentando dados técnicos que demonstram o impacto negativo da medida para o comércio bilateral.

Tarifaço

O novo tarifaço foi recomendado dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos EUA, Donald Trump. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou as recomendações para a Casa Branca taxar em até 25% uma lista de produtos brasileiros.

O texto publicado nesta segunda-feira (1º) cita "atos onerosos" brasileiros relacionados ao "comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação das leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal" como justificativas para enquadrar Brasília nas sanções da Lei de Comércio americana.

O órgão, porém, lista diversos produtos que estariam fora das sanções, como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio.

A decisão é tomada no contexto de uma decisão judicial que proibiu Trump de aplicar seu "tarifaço" de forma indiscriminada. Uma tarifa global de 10% é atualmente imposta contra o Brasil e diversos países. A sanção não é automática e depende do aval da Casa Branca.