Economia

4 em cada 10 LGBTQIAPN+ desistem de vagas por medo de discriminação

Pesquisa da Catho aponta que discriminação ainda afasta profissionais do mercado de trabalho e limita oportunidades de crescimento

Da redação
DA REDAÇÃO

23/06/2026 • 14:04 • Atualizado em 23/06/2026 • 14:04

Carteira de Trabalho

Carteira de Trabalho

Marcello Casal JrAgência Brasil

Resumo

O preconceito é apontado como uma barreira significativa para a inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ no mercado de trabalho brasileiro, com 41% dos profissionais da comunidade deixando de se candidatar a vagas por medo de discriminação e 60% relatando impactos negativos em suas trajetórias profissionais devido à identidade de gênero ou orientação sexual.

A pesquisa da Catho revela que as dificuldades enfrentadas vão além do acesso ao emprego, incluindo relatos de diferenças salariais, menos oportunidades de crescimento e tratamento desigual para 36% dos profissionais LGBTQIAPN+, além de apenas 42% se sentirem totalmente à vontade para assumir sua identidade no ambiente corporativo.

Especialistas como Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, destacam que a cultura organizacional e o compromisso das empresas com diversidade e inclusão são fundamentais para criar ambientes mais seguros e acolhedores, promovendo desenvolvimento profissional e reduzindo os impactos negativos do preconceito na confiança e progressão de carreira desses profissionais.

O preconceito continua sendo uma barreira significativa para a inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ no mercado de trabalho brasileiro. Uma pesquisa divulgada pela Catho, plataforma gratuita de empregos, revela que 41% dos profissionais da comunidade já deixaram de se candidatar a vagas por receio de sofrer discriminação durante processos seletivos ou dentro das empresas.

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O levantamento mostra que a exclusão ocorre antes mesmo da contratação. De acordo com os dados, 60% dos entrevistados afirmam que sua identidade de gênero ou orientação sexual já impactou negativamente sua trajetória profissional em algum momento. Apenas 30% disseram nunca ter percebido interferência dessas características em suas carreiras.

As dificuldades, no entanto, não se limitam à busca por uma vaga. Entre os profissionais LGBTQIAPN+, 36% relatam enfrentar diferenças salariais, menos oportunidades de crescimento ou tratamento desigual em comparação com colegas que não fazem parte da comunidade.

Além disso, o estudo aponta que o ambiente corporativo ainda não é percebido como totalmente seguro por muitos trabalhadores. Apenas 42% dos participantes afirmaram se sentir completamente à vontade para assumir sua identidade de gênero ou orientação sexual no local de trabalho.

Para Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, empresa responsável pela Catho, os números evidenciam que a diversidade ainda encontra obstáculos estruturais dentro das organizações.

“Quando profissionais deixam de participar de processos seletivos por medo de discriminação, o mercado perde talentos antes mesmo de conhecê-los. Os dados mostram que a inclusão ainda é um desafio e que muitas pessoas continuam adaptando comportamentos ou até mesmo escondendo identidades e limitando oportunidades profissionais para evitar situações de preconceito”, afirma.

Segundo a executiva, a cultura organizacional tem papel decisivo na construção de ambientes mais acolhedores e na promoção do sentimento de pertencimento. Empresas que investem em inclusão e segurança psicológica tendem a favorecer maior abertura, retenção de talentos e desenvolvimento profissional de pessoas LGBTQIAPN+.

A pesquisa também destaca que contextos considerados hostis podem impactar diretamente a confiança dos profissionais e dificultar sua progressão na carreira.

“Promover diversidade tem impacto na reputação e deve ser um compromisso contínuo com ambientes mais seguros, respeitosos e verdadeiramente inclusivos. As empresas têm papel fundamental na construção de espaços onde profissionais possam desenvolver suas carreiras sem medo de julgamentos, discriminação ou necessidade de esconder quem são”, conclui Patricia Suzuki.

Os resultados reforçam que, apesar dos avanços nas discussões sobre diversidade e inclusão, o preconceito ainda influencia decisões profissionais e representa um desafio para a construção de ambientes de trabalho mais igualitários no país.