Economia

50% dos freelancers e PJs entraram no modelo por necessidade, diz pesquisa

Levantamento com profissionais independentes mostra que instabilidade financeira, falta de benefícios e dificuldade para conseguir novos projetos seguem entre os principais desafios da modalidade

Da redação
DA REDAÇÃO

03/06/2026 • 13:40 • Atualizado em 03/06/2026 • 13:40

Trabalhadores

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O trabalho freelancer e o modelo de contratação como pessoa jurídica (PJ) continuam ganhando espaço no mercado brasileiro, mas para muitos profissionais a escolha não foi motivada por planejamento de carreira. É o que aponta uma pesquisa realizada pela empresa HUG, especializada em recrutamento e alocação de profissionais das áreas de comunicação e marketing.

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Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados afirmaram que passaram a atuar como freelancer ou PJ por necessidade e permanecem nessa condição. Outros 20,4% disseram que também ingressaram no modelo por necessidade, mas atualmente optam por continuar trabalhando dessa forma. Apenas uma parcela menor relatou ter planejado a transição desde o início.

Os dados sugerem que, apesar do crescimento das formas flexíveis de contratação, muitos profissionais ainda chegam ao trabalho independente como alternativa diante de dificuldades no mercado formal.

Experiência não elimina insegurança financeira

A pesquisa indica que boa parte dos profissionais já possui experiência na modalidade. Entre os entrevistados, 33,3% atuam como freelancer ou PJ há quatro a sete anos. Outros 27,8% trabalham nesse formato entre um e três anos, enquanto 18,5% estão na atividade há menos de um ano. Já 16,7% acumulam entre oito e 15 anos de experiência, e 3,7% atuam há mais de 15 anos.

Mesmo com trajetórias mais longas, a estabilidade financeira continua sendo um desafio. Quando questionados sobre a renda nos últimos 12 meses, 46,3% afirmaram que os ganhos permaneceram estáveis e 20,4% registraram aumento. Em contrapartida, um terço dos entrevistados relatou queda na renda no período.

Principais desafios

A instabilidade ou imprevisibilidade financeira foi apontada como a principal dificuldade pelos participantes da pesquisa, sendo citada por 74,1% dos respondentes.

Em seguida aparecem:

  • Dificuldade para conseguir novos projetos ou clientes (59,3%);
  • Falta de benefícios como plano de saúde, previdência e férias remuneradas (55,6%);
  • Negociação de valores considerados justos pelos serviços prestados (50%);
  • Reconhecimento como profissionais estratégicos, e não apenas executores de tarefas (35,2%);
  • Gestão tributária e administrativa (25,9%);
  • Sensação de isolamento profissional e falta de networking ou comunidade (14,8%).

Os resultados indicam que, embora a flexibilidade seja uma das principais características do trabalho sob demanda, questões relacionadas à previsibilidade de renda e proteção social continuam sendo obstáculos para uma parcela significativa dos trabalhadores independentes.

Mercado flexível segue em expansão

Nos últimos anos, o avanço da digitalização e a busca das empresas por modelos mais flexíveis de contratação contribuíram para a expansão do trabalho freelancer e PJ em diferentes setores da economia.

A pesquisa da HUG foi realizada com profissionais independentes ligados principalmente às áreas de comunicação e marketing e aponta que o crescimento desse mercado vem acompanhado da necessidade de estruturas mais organizadas para contratação, remuneração e gestão dos projetos.

Embora o modelo ofereça maior autonomia para muitos profissionais, os dados mostram que a segurança financeira e o acesso a benefícios continuam entre as principais preocupações de quem depende do trabalho sob demanda para gerar renda.