O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,06% informou nesta terça-feira (28), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas como funciona a dinâmica inflacionária e por que a queda da inflação, inesperadamente, não é um bom sinal para a economia?
O Band.com.br conversou com a jornalista Juliana Rosa, colunista e apresentadora do Jornal da Band BandNews FM e TV, que explicou que a inflação pode, sim, zerar – ou ter um efeito chamado “deflação”, ou seja, ficar negativa. Mas, contrariando a lógica, os dois cenários não são indicados para a economia.
“O importante é a tendência em um ano. Então, é bom ter um pouco de inflação, significa que a economia está crescendo e que as pessoas estão consumindo. A deflação em um período mensal não é um problema, mas a deflação em um período de um ano, acumulada em 12 meses, como teve no Japão, aponta um problema. Nesse sentido, as pessoas não querem consumir, ficam poupando com medo da crise e a economia sofre”, explicou.
No livro “De Galinha a Gavião: Como impulsionar o Voo da Economia Brasileira”, a economista explica que uma inflação boa é “previsível e baixa”. Sendo assim, o reajuste de preços significa que a economia continua girando, e a possibilidade de prever “os próximos capítulos” indica segurança de investimentos.
“Por isso, é importante que o governo defina as metas de inflação e faça sua parte para que sejam atingidas com o menor custo possível para a sociedade”, explica Juliana.
Por mais que a queda nos preços seja um bom indicativo para o consumidor, para a economia “o bom é inimigo do ótimo”.
“Os estudos mostram que é mais difícil reverter um processo deflacionário do que um processo inflacionário. A queda do consumo é retroalimentada quando se tem deflação, porque os consumidores vão adiando as compras esperando que os preços caiam mais”, afirmou.
Deflação “crônica” no Japão
Em um estudo publicado pelo Banco do Japão, em 2012, a instituição explora como uma das maiores potências econômicas e tecnológicas do mundo ficou presa na chamada “deflação crônica”, baseado em três pilares: as expectativas de inflação, o hiato do produto e fatores externos.
As expectativas de inflação de longo prazo caíram de cerca de 3% no início dos anos 90 para quase zero no início dos anos 2000, estabilizando-se posteriormente em torno de 1%.
Ou seja, se as expectativas se tornam negativas, a economia pode cair em uma "armadilha de liquidez", onde o banco central não consegue estimular a economia porque as taxas de juros nominais já atingiram o limite inferior de zero.
Os dois pilares acima criaram um problema ainda maior: o hiato do produto. Isto é, a diferença entre o que o país produz e a capacidade potencial dele.
Juntando esses pilares com outros problemas, como o colapso da bolha de ativos, a crise financeira de 1997 e a crise global de 2008, a taxa natural de juros ficou negativa. A questão virou uma bola de neve: com os juros zerados, a política monetária local ficou restrita, impedindo a produção e o potencial japonês – o hiato.
Além disso, fatores como o envelhecimento e o declínio da população reduziram o potencial de crescimento da economia e alteraram a estrutura da demanda, pressionando os preços a caírem ainda mais.
A concorrência com economias emergentes e desregulamentação também foram fatores que influenciaram na deflação crônica.
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