
Ana Paula Padrão organiza evento com foco em liderenças femininas
Band
Ana Paula Padrão lança neste ano a sexta edição do Tempo de Mulher, evento que fundou e que tem como foco promover um encontro entre CEOs de toda a América Latina e exaltar lideranças femininas. Nele, se discute as transformações sociais e a presença da mulher no atual mercado de trabalho.
A apresentadora ressalta que desde que criou a plataforma de conteúdo que deu origem ao evento, houve importantes avanços, mas o caminho ainda é longo.
“Acho que ainda falta muito para mudar. Hoje há mais mulheres nas cadeiras número um das empresas. Quando eu comecei a fazer eventos lá em 2010, 2011, você não tinha presidente de empresa no Brasil e eu não tinha quem colocar no palco. Eu fazia muito painel com diretoras, eventualmente uma vice-presidente. A partir de 2017, eu consegui ver um número significativo de mulheres sentadas nessa cadeira número um. Numericamente crescemos muito. Em termos percentuais somos muito poucas ainda”, destaca a jornalista em entrevista ao Band.com.br
Ana cita sobretudo o caso de mulheres negras, que ainda ocupam pouquíssimos cargos de liderança no país. Para ela, o principal ponto que ainda precisar mudar a forma como as pessoas enxergam as mulheres.
“Se você pensar aqui no Brasil de 1960, as mulheres tinham menos de dois anos de estudo e tinham mais de seis filhos. Hoje elas têm mais de 10 anos de estudo, mais do que os homens inclusive, e menos de dois filhos. A gente voluntariamente passou a estudar muito mais, ter menos filhos e, portanto, conseguir trabalhar mais para conseguir chegar a essas cadeiras número um”, relata.
Ainda ouço perguntas do tipo: ‘Nossa, ela tem três filhos, como é que ela consegue trabalhar desse jeito?’ Ninguém pergunta isso de um homem. Ou seja, ainda tem muita mudança cultural pra fazer. Mas obviamente o ambiente melhorou porque a gente pode fazer esse tipo de discussão. Menopausa é um tema e há três anos atrás não era.
Renovação
Ana Paula comemora o fato de que, a cada edição do Tempo de Melhor, existem sempre novos temas a serem discutidos. Neste ano, ela levará a bióloga Tatiana Sampaio, que liderou pesquisas sobre a polilaminina, ao encontro.
“É uma mulher que tem muito a dizer não só sobre a área dela, a ciência, mas muito também sobre o processo de socialização feminina, o que ela enxerga hoje nas áreas consideradas mais duras do trabalho, a atuação de mulheres. Todo ano temos convidadas especiais que estão à frente de coisas que precisamos saber”, frisa.
A apresentadora também observa que em meio ao crescimento da Inteligência Artificial, as empresas voltaram a olhar mais para os trabalhadores, o que também tem contribuído para mudanças no ambiente de trabalho.
“Acho que se passamos tanto tempo se ‘produtizando’ que se a gente não vende, quem fale não é o produto, é o indivíduo. É muito difícil pra um humano olhar pra si e dizer: 'Eu fali, ninguém se interessa por mim. E acho que antes de a gente chegar a esse ponto precisamos fazer um resgate do humano”, afirma ela.

