
Fundos imobiliários serão aceitos como pagamentos na B3
B3
A B3, a bolsa do Brasil, anunciou nesta quarta-feira (6) que passará a aceitar o depósito de fundos imobiliários (FIIs) como garantia em operações a partir da próxima segunda-feira (11). A medida atende a uma demanda do mercado para ampliar o rol de ativos aceitos para cobertura de margem de risco em transações que envolvem a atuação da bolsa como contraparte central.
Na prática, os investidores poderão utilizar as cotas de fundos imobiliários elegíveis para assegurar o cumprimento de obrigações financeiras em operações que exigem garantias na B3. Atualmente, o volume total depositado em garantias na instituição soma R$ 733,5 bilhões, concentrado majoritariamente em títulos públicos federais (82,4%) e ações (15,1%).
A inclusão dos FIIs reforça o papel desses ativos como instrumento de diversificação. Segundo Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3, a iniciativa ocorre após recordes de negociação no setor, que movimentou R$ 11,4 bilhões apenas em março de 2026.
Critérios para aceitação dos fundos
Para que um fundo imobiliário seja considerado elegível pela B3 para compor garantias, ele deve cumprir requisitos mínimos de liquidez e atividade no mercado secundário. A bolsa inicia a operação com uma lista prévia de 28 FIIs selecionados.
Entre os critérios técnicos estabelecidos pela B3 estão a presença em pregão de 100% nos últimos 84 dias e um preço médio de fechamento superior a R$ 1 no mesmo período. Além disso, o fundo precisa registrar uma mediana de volume diário negociado igual ou superior a R$ 2 milhões e pelo menos 6 mil negócios por dia.
A B3 informou que a lista de fundos elegíveis e os limites aplicáveis serão divulgados em seu site oficial e atualizados periodicamente, seguindo o Manual de Administração de Risco da instituição.
Fortalecimento do mercado para pessoas físicas
A aceitação como garantia é parte de uma agenda de amadurecimento do mercado de FIIs, produto que tem a preferência de investidores pessoa física devido à isenção de Imposto de Renda sobre dividendos. Em 2025, os fundos brasileiros já haviam sido equiparados aos REITs internacionais, facilitando a entrada em índices globais.
Skistymas avalia que o novo incentivo traz mais profundidade para a liquidez da classe de ativos. A medida se soma a outras ações recentes, como a liberação da recompra de cotas para cancelamento e a negociação de grandes lotes de FIIs.
Como contraparte central, a Câmara B3 garante que as operações ocorram sem riscos para os participantes, assumindo as posições de comprador e vendedor. A ampliação dos instrumentos aceitos busca oferecer flexibilidade na gestão de garantias e eficiência no cumprimento das exigências de margem no ambiente de bolsa.
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