
Marcello Casal JrAgência Brasil
Resumo
O Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), confirmou continuidade do ajuste da taxa Selic conforme evolução do cenário econômico, destacando cautela diante de incertezas e riscos que pressionam a inflação, especialmente relacionados aos conflitos no Oriente Médio e seus impactos globais.
A decisão recente reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, acumulando queda de 0,75 ponto percentual desde março, com o colegiado avaliando que a nova Selic de 14,25% é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta e favorece a atividade econômica e o nível de emprego.
As projeções do Copom indicam inflação acima do teto da meta em 2026, com IPCA estimado em 5,2%, e expectativa de 3,7% em 2027, considerando cenário de referência com taxa de câmbio inicial de R$ 5,10, bandeira amarela de energia elétrica e preços do petróleo acompanhando curva futura e alta anual de 2% após seis meses.
O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou, na ata divulgada nesta terça-feira (23), que o ritmo de ajuste da taxa Selic continuará sendo definido de acordo com a evolução do cenário econômico. Segundo o Banco Central, a estratégia busca garantir a convergência da inflação para a meta, em um ambiente marcado por elevada incerteza e riscos que seguem pressionando os preços para cima.
Na reunião encerrada em 17 de junho, o colegiado reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%. Foi o terceiro corte consecutivo promovido pela autoridade monetária. Desde março, quando teve início um ciclo gradual de flexibilização da política monetária, a Selic já acumulou queda de 0,75 ponto percentual.
De acordo com o documento, o cenário internacional continua cercado de incertezas, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e de seus possíveis impactos sobre a inflação global, os preços das commodities e as cadeias de suprimentos.
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, destacou o Copom.
O colegiado também avaliou que a redução da Selic para 14,25% é compatível com a estratégia de trazer a inflação para perto da meta, ao mesmo tempo em que contribui para suavizar oscilações da atividade econômica e favorecer o nível de emprego.
Projeções para a inflação
A ata manteve as projeções apresentadas anteriormente no comunicado da decisão. O Copom estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2026 com alta de 5,2%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.
Para 2027, horizonte atualmente considerado relevante para a política monetária, a expectativa é de inflação de 3,7%, ainda acima do centro da meta, fixado em 3%.
Nas estimativas do Banco Central:
- Preços livres: alta de 5,3% em 2026 e de 3,7% em 2027;
- Preços administrados: avanço de 4,7% em 2026 e de 3,9% em 2027.
As projeções consideram o cenário de referência do Banco Central, com base na trajetória de juros apontada pelo Relatório Focus de 15 de junho e bandeira tarifária amarela de energia elétrica ao fim de 2026 e 2027.
O cenário também prevê taxa de câmbio inicial de R$ 5,10, evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC), enquanto os preços do petróleo acompanham a curva futura por seis meses e, posteriormente, registram alta anual de 2%.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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