Economia

É inaceitável Flávio oferecer governo de transição aos EUA, diz Mercadante

Presidente do BNDES vê risco à soberania em acesso de Washington a dados sobre terras raras e Margem Equatorial

ESTADÃO CONTEÚDO

03/07/2026 • 12:36 • Atualizado em 03/07/2026 • 12:45

Aloizio Mercadante

Aloizio Mercadante

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, classificou como "inaceitável" a proposta do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), de convidar o governo dos Estados Unidos para participar de uma eventual equipe de transição, ao falar com empresários na sede da Firjan, no Rio de Janeiro.

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Segundo ele, permitir que representantes de Washington tenham acesso a dados estratégicos do país, como informações sobre terras raras e sobre a Margem Equatorial, representa "risco soberano".

A proposta de Flávio Bolsonaro veio à tona a partir de carta enviada pelo senador norte-americano Marco Rubio ao pré-candidato, na qual o parlamentar menciona convite para que representantes dos Estados Unidos integrem o grupo responsável pela transição de governo caso o PL vença as eleições presidenciais.

Para Mercadante, um arranjo desse tipo abriria espaço para que Washington tivesse acesso direto a bases de dados sensíveis. "Como você pode oferecer para uma nação estrangeira que ela participe da transição e tenha acesso a essas informações?", indagou.

O presidente do BNDES encerrou a declaração afirmando que o cenário descrito por Rubio só ocorreria em caso de vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas. "Mas isso só aconteceria se ele vencesse a eleição, e isso não vai acontecer", disse.

Mercadante afirmou que fala com base na experiência de quem integrou o grupo de transição do governo Jair Bolsonaro para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando teve acesso a informações sigilosas em diferentes áreas.

Dados estratégicos em jogo

Ele lembrou que, na ocasião, visitou o centro de pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio, antes da licença para exploração da Margem Equatorial, e pôde ver estudos sobre o subsolo, o potencial de reservas de óleo e gás e áreas semelhantes ao pré-sal, além de dados que, segundo ele, "nunca vazaram".

O presidente do BNDES citou ainda reuniões no Ministério da Defesa, nas quais o grupo de transição teve contato com diagnósticos sobre as necessidades das Forças Armadas, prioridades de investimento e planos de proteção do território nacional.

À frente do banco de fomento, o executivo destacou que o BNDES reúne mapas detalhados de terras raras e minerais críticos no Brasil, que classificou como "mapa da mina" dos recursos estratégicos do país, e questionou a possibilidade de dividir esse tipo de informação com um governo estrangeiro.