Economia

Brasileiro sancionado pelos EUA é investigado no caso Timão-Vai de Bet

MP aponta empresa ligada a Victor Shimada em repasses suspeitos do patrocínio do Corinthians para rede ligada ao PCC

Da redação
DA REDAÇÃO

01/07/2026 • 18:07 • Atualizado em 01/07/2026 • 21:05

Alvo de sanções anunciadas nesta quarta-feira (1º) pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada é investigado pelo Ministério Público de São Paulo por suposta lavagem de dinheiro no caso Vai de Bet, ligado ao contrato de patrocínio entre o Corinthians e uma casa de apostas.

Compartilhar

Transações sob suspeita

Segundo o Ministério Público, a Victory Trading, empresa ligada a Shimada, colaborou para que parte dos valores desviados dos cofres do Corinthians fosse transferida à UJ Football Talent Intermediação, que integra uma rede de empresas fantasmas apontada nas investigações.

Entre 26 e 28 de março de 2024, a empresa Wave transferiu R$ 13.612.311,88 para a Victory Trading, que repassou R$ 200 mil à conta da UJ Football Talent. Para os investigadores, esse fluxo financeiro indica possível lavagem de recursos do clube paulista.

Os promotores relatam que selfies enviadas a instituições financeiras mostram Shimada e o sócio da Wave no mesmo local ao tirarem as fotos exigidas pelos bancos, o que reforça, na visão deles, a proximidade entre os dois. O Ministério Público denunciou o brasileiro por lavagem de dinheiro.

Como surgiu a suspeita no patrocínio do Corinthians

O contrato com a casa de apostas Vai de Bet, primeiro da gestão do presidente Augusto Melo, previa o pagamento de R$ 360 milhões ao Corinthians. Pelo acordo, 7% do montante líquido de cada parcela iria para a intermediadora Rede Media Social Ltda, cerca de R$ 700 mil mensais por três anos.

Citada como responsável pela intermediação, a Rede Media Social tem CNPJ em nome de Alex Cassundé, ex-integrante da equipe de comunicação de Melo. A casa de apostas rescindiu unilateralmente o contrato em junho de 2024, após revelações sobre repasses de comissão à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda.

Investigadores consideram a Neoway uma suposta empresa laranja, com CNPJ em nome de Edna Oliveira dos Santos, moradora de Peruíbe, no litoral paulista. A Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), concluiu que a Rede Media Social usou empresas fantasmas para fazer R$ 1 milhão chegar à conta da UJ Football Talent, apontada como braço do Primeiro Comando da Capital.

Sanções dos EUA e papel de Shimada na rede do PCC

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.

Na lista divulgada pelo Tesouro, Shimada aparece como líder do núcleo paulista da rede de lavagem e elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. As autoridades afirmam que ele utilizou criptomoedas para enviar mais de US$ 30 milhões dos Estados Unidos ao Brasil.

O órgão americano registra ainda que Shimada já cumpriu prisão domiciliar no Brasil em investigação sobre lavagem de recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em esquema de fraude publicitária. As apurações do caso Vai de Bet seguem em andamento, e a defesa de Shimada não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Com informações do Estadão Conteúdo.