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EUA sancionam 3 empresas e 2 cidadãos brasileiros por suposto elo com o PCC

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos designou dois brasileiros, três empresas nacionais e uma companhia portuguesa por ligações com o tráfico de drogas

Da redação
DA REDAÇÃO

01/07/2026 • 13:12 • Atualizado em 01/07/2026 • 15:37

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções contra três empresas brasileiras e dois cidadãos do país “por seus vínculos com a maior organização criminosa da América Latina, o Primeiro Comando da Capital (PCC)”. Segundo o documento do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA, os envolvidos “lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade”.

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Suposta rede criminosa operava entre Flórida e SP

Segundo o órgão norte-americano, a organização operava principalmente a partir de bases estabelecidas na Flórida e em São Paulo. O grupo é apontado como um braço financeiro do PCC, utilizando criptomoedas para remeter ao Brasil mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em território dos Estados Unidos. As investigações revelaram que os envolvidos utilizavam uma rede de distribuição de eletrônicos e plataformas de e-commerce chinês para viabilizar a lavagem de cerca de US$ 190 milhões ao longo de sete meses.

A operação é resultado de uma investigação coordenada pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), que contou com a colaboração do FBI e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em janeiro deste ano, seis membros do grupo baseado na Flórida já haviam sido presos e indiciados por crimes de lavagem de dinheiro.

Empresas acusadas de evasão e fachada

Para evitar a detecção das autoridades, a rede utilizava diversas empresas de fachada que, formalmente, atuavam em setores distintos da construção civil e intermediação de negócios. As companhias sancionadas pelo governo americano incluem:

  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda: com sede em São Paulo, atuava como elo financeiro para o grupo;
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda: empresa paulistana integrada à estrutura de lavagem;
  • Wave Construções Inteligentes Ltda: firma do setor de construção que servia à movimentação de recursos ilícitos;
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda: transportadora e empresa de armazenagem com base em Lisboa, Portugal, sob controle direto dos investigados.

Principais alvos e sanções aplicadas

As sanções têm como figuras centrais os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Shimada é apontado como o elo principal entre os criminosos do PCC que atuam nos Estados Unidos e traficantes internacionais, sendo responsável pela gestão logística da lavagem de dinheiro. Stella atuava como sua secretária e corretora para a coleta de dinheiro em espécie.

Como resultado da decisão, todos os bens e interesses das pessoas e empresas designadas que estejam sob controle de cidadãos ou entidades dos EUA estão bloqueados. As autoridades ressaltam que o objetivo não é apenas punir, mas induzir uma mudança de comportamento e desmantelar a infraestrutura que permite a perpetuação desses crimes. Além das sanções diretas, instituições financeiras estrangeiras que facilitem transações significativas para esses indivíduos correm o risco de sofrerem penalidades adicionais.

“Essa designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, disse Gene Lange , que exerce as funções de Subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira . “Não podemos permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade".