Economia

Estudo da FGV aponta que "inflação da Copa"já pesa no bolso do torcedor

Levantamento mostra que itens consumidos em dias de jogo, como carnes bovinas, doces, salgados e refeições fora de casa, subiram acima da inflação média acumulada em 12 meses até abril de 2026

VIVIANE TAGUCHI

10/06/2026 • 17:23 • Atualizado em 10/06/2026 • 23:05

Carne bovina do churrasco, cerveja e até pipoca têm alta de preços

Carne bovina do churrasco, cerveja e até pipoca têm alta de preços

Gerada por IA

A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (11) e a inflação dos produtos e serviços relacionados aos dias de jogo já começou a impactar o bolso do torcedor antes mesmo de a bola rolar. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a partir do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), diversos itens típicos para acompanhar as partidas registraram variações superiores ao IPC geral, que acumulou alta de 3,84% em 12 meses até abril de 2026.

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Entre os produtos que mais pressionam o orçamento estão as carnes bovinas, com alta de 8,24%, seguidas por doces e salgados, que avançaram 7,78%, e restaurantes, com aumento de 7,28%. Também ficaram acima da inflação média os sanduíches (5,74%), refrigerantes e água mineral fora de casa (5,08%), cervejas e chopes (4,76%), biscoitos (4,73%), milho de pipoca (4,50%) e serviços de streaming (4,21%).

A escalação tática da inflação

O levantamento mostra que a alta de preços associada aos dias de jogo não atinge o consumidor de forma uniforme. Em uma analogia com os gramados, os produtos foram divididos pelo impacto financeiro:

No "ataque": Aparecem os itens que exercem maior pressão direta no orçamento. As carnes bovinas (+8,24%), doces e salgados (+7,78%) e a alimentação em restaurantes (+7,28%) lideram a ofensiva contra o bolso.

No "meio-campo": Estão os produtos que dão ritmo e mantêm a conta em movimento para cima. É o caso dos sanduíches (+5,74%), refrigerantes e água mineral fora de casa (+5,08%), além de cervejas e chopes (+4,76%).

Na "defesa": Surgem itens típicos do dia de jogo com uma pressão mais moderada ou abaixo da inflação média, como biscoitos (+4,73%), milho de pipoca (+4,50%), serviços de streaming (+4,21%), cerveja consumida em casa (+3,75%) e refrigerantes e água mineral (+2,97%).

A leitura do estudo indica que acompanhar os jogos em bares ou restaurantes tende a pesar consideravelmente mais do que assistir às partidas em casa, embora o churrasco tradicional continue pressionado pelo aumento expressivo das carnes bovinas.

Os quatro cenários para o torcedor

A análise realizada pelo coordenador dos Índices de Preços do FGV IBRE, André Braz, organiza o perfil de consumo do torcedor em quatro cenários distintos:

Copa no sofá: Salgadinhos, biscoitos, pipoca e streaming seguem pressionando, mas montar a estrutura física para ver os jogos ficou menos pesado em alguns itens de tecnologia.

Copa no churrasco: As carnes bovinas são o principal símbolo da alta de preços e tornam a tradicional reunião de amigos em casa consideravelmente mais cara.

Copa no bar: Restaurantes, sanduíches, doces e bebidas fora de casa avançam acima do IPC geral e pesam mais para quem decide acompanhar a movimentação nas ruas.

Copa conectada: A internet ajuda a aliviar parte do orçamento, enquanto os serviços de streaming continuam em patamares elevados.

Substituições em campo: nem tudo subiu

Para o torcedor que quer economizar, a melhor tática é olhar para o banco de reservas dos supermercados. Alguns itens estratégicos registraram queda acumulada e podem ajudar a reduzir a conta final:

Queijo prato: Queda de 8,77%

Mensalidade de internet: Recuo de 2,14%

Presunto: Queda de 0,67%

Carnes suínas: Redução de 0,60% (uma excelente alternativa para substituir os cortes bovinos no churrasco)

Artigos esportivos: Queda de 0,27%

Até mesmo quem pretende renovar o eletrodoméstico para ver os jogos pode encontrar boas oportunidades: o preço do aparelho de TV teve uma alta marginal de apenas 0,91%, ficando bem abaixo da inflação média do país.

O saldo final do levantamento deixa claro: o bar pesa mais que o sofá, o churrasco bovino segue no ataque da inflação, mas a conectividade e o uso de itens substitutos são os maiores aliados para aliviar a conta.