
Carne bovina do churrasco, cerveja e até pipoca têm alta de preços
Gerada por IA
A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (11) e a inflação dos produtos e serviços relacionados aos dias de jogo já começou a impactar o bolso do torcedor antes mesmo de a bola rolar. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a partir do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), diversos itens típicos para acompanhar as partidas registraram variações superiores ao IPC geral, que acumulou alta de 3,84% em 12 meses até abril de 2026.
Entre os produtos que mais pressionam o orçamento estão as carnes bovinas, com alta de 8,24%, seguidas por doces e salgados, que avançaram 7,78%, e restaurantes, com aumento de 7,28%. Também ficaram acima da inflação média os sanduíches (5,74%), refrigerantes e água mineral fora de casa (5,08%), cervejas e chopes (4,76%), biscoitos (4,73%), milho de pipoca (4,50%) e serviços de streaming (4,21%).
A escalação tática da inflação
O levantamento mostra que a alta de preços associada aos dias de jogo não atinge o consumidor de forma uniforme. Em uma analogia com os gramados, os produtos foram divididos pelo impacto financeiro:
No "ataque": Aparecem os itens que exercem maior pressão direta no orçamento. As carnes bovinas (+8,24%), doces e salgados (+7,78%) e a alimentação em restaurantes (+7,28%) lideram a ofensiva contra o bolso.
No "meio-campo": Estão os produtos que dão ritmo e mantêm a conta em movimento para cima. É o caso dos sanduíches (+5,74%), refrigerantes e água mineral fora de casa (+5,08%), além de cervejas e chopes (+4,76%).
Na "defesa": Surgem itens típicos do dia de jogo com uma pressão mais moderada ou abaixo da inflação média, como biscoitos (+4,73%), milho de pipoca (+4,50%), serviços de streaming (+4,21%), cerveja consumida em casa (+3,75%) e refrigerantes e água mineral (+2,97%).
A leitura do estudo indica que acompanhar os jogos em bares ou restaurantes tende a pesar consideravelmente mais do que assistir às partidas em casa, embora o churrasco tradicional continue pressionado pelo aumento expressivo das carnes bovinas.
Os quatro cenários para o torcedor
A análise realizada pelo coordenador dos Índices de Preços do FGV IBRE, André Braz, organiza o perfil de consumo do torcedor em quatro cenários distintos:
Copa no sofá: Salgadinhos, biscoitos, pipoca e streaming seguem pressionando, mas montar a estrutura física para ver os jogos ficou menos pesado em alguns itens de tecnologia.
Copa no churrasco: As carnes bovinas são o principal símbolo da alta de preços e tornam a tradicional reunião de amigos em casa consideravelmente mais cara.
Copa no bar: Restaurantes, sanduíches, doces e bebidas fora de casa avançam acima do IPC geral e pesam mais para quem decide acompanhar a movimentação nas ruas.
Copa conectada: A internet ajuda a aliviar parte do orçamento, enquanto os serviços de streaming continuam em patamares elevados.
Substituições em campo: nem tudo subiu
Para o torcedor que quer economizar, a melhor tática é olhar para o banco de reservas dos supermercados. Alguns itens estratégicos registraram queda acumulada e podem ajudar a reduzir a conta final:
Queijo prato: Queda de 8,77%
Mensalidade de internet: Recuo de 2,14%
Presunto: Queda de 0,67%
Carnes suínas: Redução de 0,60% (uma excelente alternativa para substituir os cortes bovinos no churrasco)
Artigos esportivos: Queda de 0,27%
Até mesmo quem pretende renovar o eletrodoméstico para ver os jogos pode encontrar boas oportunidades: o preço do aparelho de TV teve uma alta marginal de apenas 0,91%, ficando bem abaixo da inflação média do país.
O saldo final do levantamento deixa claro: o bar pesa mais que o sofá, o churrasco bovino segue no ataque da inflação, mas a conectividade e o uso de itens substitutos são os maiores aliados para aliviar a conta.
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