
Com crescimento de 280% em dez anos, mulheres já comandam cerca de 1.800 padarias em São Paulo
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Resumo
Participação feminina na gestão de padarias de São Paulo atingiu cerca de 31%, representando um crescimento de mais de 280% nos últimos dez anos, impulsionado pela profissionalização do setor e mudanças pós-pandemia.
Transformações recentes no modelo de negócio, como ampliação do mix de produtos, aposta em fermentação natural, experiências para o consumidor e uso de redes sociais, estão associadas à diversificação dos perfis de gestão, exemplificada por Alessandra Carvalho, sócia da Big Bread e integrante do comitê feminino do Sampapão.
Capacitação profissional e programas de qualificação promovidos por entidades como o Sampapão têm contribuído para ampliar a representatividade feminina na liderança, fortalecendo o empreendedorismo e modernizando um segmento tradicional da economia paulistana.
Na cidade de São Paulo, onde estão em funcionamento cerca de seis mil padarias, aproximadamente 1.800 são comandadas ou geridas diretamente por mulheres. O número representa quase 31% do total de estabelecimentos e indica um crescimento superior a 280% na participação feminina na liderança do setor ao longo da última década.
Há dez anos, as mulheres respondiam por cerca de 8% da gestão das panificadoras paulistanas. O avanço foi gradual, acompanhando a profissionalização do segmento, e ganhou força no período de reabertura econômica após a pandemia, quando muitos negócios precisaram rever estratégias comerciais e operacionais. Naquele momento, a presença feminina na gestão chegou a 18%, segundo dados do setor.
Historicamente, a atuação das mulheres nas padarias esteve associada a funções de apoio, como atendimento no caixa ou auxílio na produção, muitas vezes em negócios familiares. A sucessão, em geral, privilegiava herdeiros homens. O cenário começou a mudar com a entrada de novas gerações e com a formalização dos processos de gestão.
Mudanças no modelo de negócio
De acordo com representantes do setor, parte das transformações recentes nas padarias — como ampliação do mix de produtos, aposta em fermentação natural, criação de ambientes mais voltados à experiência do consumidor e uso intensivo das redes sociais — está relacionada à diversificação dos perfis de gestão.
Um dos exemplos citados é o de Alessandra Carvalho, sócia da padaria Big Bread, na capital paulista. Formada em Economia, ela retornou ao negócio da família após experiência no setor corporativo e passou a investir em planejamento financeiro, ações temáticas sazonais e estratégias de fidelização de clientes.
Além da gestão do empreendimento, Alessandra integra o comitê feminino do Sampapão, entidade que reúne a Associação e o Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo, além do Instituto de Desenvolvimento de Panificação e Confeitaria (IDPC) e do Fundipan.
Capacitação e representatividade
O presidente do Sampapão, Rui Gonçalves, avalia que o aumento da presença feminina tem impacto direto na modernização do setor. Segundo ele, programas de capacitação técnica e gerencial têm contribuído para ampliar o acesso das mulheres à liderança dos negócios.
A entidade promove cursos, eventos e ações voltadas à qualificação profissional, com foco em gestão, inovação e atualização técnica. A avaliação é de que o fortalecimento da participação feminina tende a influenciar os rumos da panificação na capital, segmento considerado um dos mais tradicionais da economia paulistana.
O crescimento da presença das mulheres no comando das padarias ocorre em meio a um movimento mais amplo de empreendedorismo feminino no país, marcado por maior formalização, busca por capacitação e ocupação de espaços historicamente restritos.
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