Economia

Saída dos Emirados Árabes da OPEP pode aumentar mais o preço da gasolina

Organização que controla a produção global de petróleo vive momento de tensões internas; entenda o papel dos Emirados Árabes e a saída de membros recentes

Da redação
DA REDAÇÃO

28/04/2026 • 12:23 • Atualizado em 28/04/2026 • 12:23

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e Opep+ (aliança que reúne membros do cartel do petróleo e aliados como a Rússia, em um movimento com potencial para mexer no equilíbrio do mercado global de energia) após mais de cinco décadas. A decisão passa a valer a partir da próxima sexta-feira (1º).

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A saída representa um duro golpe para a Arábia Saudita e para a coesão da OPEP. Tradicionalmente responsável por equilibrar os preços globais, o grupo agora enfrenta o desafio de manter sua relevância sem a participação de Abu Dhabi. Para os Emirados Árabes Unidos, a medida é um passo estratégico para garantir soberania sobre a própria produção de petróleo, sem as amarras das cotas internacionais.

Entenda o que a OPEP e a OPEP+

Fundada em 1960, a OPEP nasceu com o objetivo de evitar que grandes petrolíferas estrangeiras controlassem sozinhas o preço do barril. Atualmente, o grupo opera expandido sob o nome de OPEP+, incluindo países aliados como a Rússia.

A lógica é simples: se a demanda global cai, o grupo reduz a produção para manter os preços elevados. Se a economia mundial acelera, eles podem abrir as torneiras para evitar uma crise de desabastecimento.

Quem já deixou o bloco?

O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos do bloco remete a outros episódios já registrados na história econômica global. Veja quais países também já foram membros do grupo, mas saíram dele:

Angola (2023): Deixou o grupo após discordar dos cortes de produção impostos, afirmando que a cota prejudicava sua economia nacional.

Catar (2019): Saiu para focar na produção de gás natural liquefeito (GNL), onde é uma potência mundial.

Equador (2020): Retirou-se devido a problemas internos e à necessidade de aumentar receitas fiscais.

Opep interfere no preço da gasolina no Brasil

A movimentação dos Emirados Árabes pode interferir, futuramente, até nos preços da gasolina comercializada no Brasil. Isso porque a Petrobras utiliza uma política que leva em conta o Preço de Paridade de Importação (PPI), qualquer decisão da OPEP+ de cortar a produção faz o valor do barril (tipo Brent) subir no mercado internacional.

Com o barril mais caro no exterior, a pressão sobre os preços internos no Brasil aumenta, impactando não apenas o abastecimento dos veículos de passeio, mas também o frete de alimentos, custo de produção industrial e na agropecuária e, consequentemente, a inflação oficial (IPCA).