
Groenlândia
Reprodução/Band
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (19) que a União Europeia está preparada para reagir caso os Estados Unidos oficializem a imposição de tarifas comerciais que classificou como "irracionais". A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática após o presidente americano, Donald Trump, anunciar taxas progressivas contra produtos europeus como forma de pressionar pela compra da Groenlândia.
Em coletiva de imprensa, o chefe de governo alemão ressaltou que o interesse do bloco europeu é evitar um conflito econômico direto com Washington. Merz ponderou que a prioridade é o diálogo, mas reforçou que a União Europeia possui mecanismos de retaliação caso as medidas protecionistas sejam implementadas de forma unilateral pelo governo norte-americano.
Estratégia diplomática e reunião com Trump
O governo alemão tenta mediar uma saída diplomática antes que as novas taxas entrem em vigor. Friedrich Merz informou que pretende se reunir com Donald Trump na próxima quarta-feira (21) para tratar do tema. O objetivo é desarmar a crise antes que o assunto seja levado ao plenário da cúpula da União Europeia, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas.
"Não queremos essa escalada. Não queremos uma disputa comercial com os Estados Unidos", declarou o chanceler. Ele ponderou, no entanto, que a passividade não é uma opção para o bloco econômico. "Mas se formos confrontados com tarifas que consideramos irracionais, então somos capazes de responder", completou o líder alemão durante o pronunciamento.
Entenda a origem do conflito
A crise teve origem no último sábado (17), quando o presidente Donald Trump utilizou uma rede social para anunciar a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus. A medida é uma estratégia de pressão para forçar um acordo de venda da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, para os Estados Unidos.
Pelo cronograma estabelecido pela Casa Branca, as taxas começam em 10% a partir do dia 1º de fevereiro. Caso não ocorra avanço nas negociações sobre o território, o imposto deve subir para 25% no dia 1º de junho. A medida atinge diretamente as economias da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Resposta coordenada da Europa
Diante da ameaça, os embaixadores dos 27 países-membros da União Europeia realizaram uma reunião de emergência no Chipre no último domingo (18). O encontro serviu para alinhar a posição do bloco frente às exigências americanas e discutir possíveis medidas de salvaguarda para a indústria europeia.
Para o chanceler Merz, a unidade do bloco é fundamental para garantir o equilíbrio nas negociações. O assunto será o tema central do encontro entre líderes em Bruxelas nesta semana, onde se espera a definição de uma postura oficial da UE caso a tentativa de diálogo entre Merz e Trump na quarta-feira não apresente resultados concretos para reverter o cenário de tarifas.
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