Inep estuda mudar redação do Enem a partir de 2028
Inep estuda substituir redação do Enem por quatro produções textuais a partir de 2028

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está debruçado sobre estudos técnicos para promover uma reformulação profunda em uma das etapas mais temidas e decisivas do Exame Nacional do Ensino Médio: a redação. A principal mudança em pauta é a substituição do tradicional modelo de texto dissertativo-argumentativo único por quatro produções textuais menores distribuídas entre as áreas do conhecimento.
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Apesar do debate em andamento, os candidatos que se preparam para as provas deste ano não precisam se desesperar. O desenho definitivo da proposta tem previsão de conclusão e definição até o final de 2026, com uma eventual implementação projetada apenas para 2028. Para o Enem atual, o formato clássico de redação em texto único e as regras tradicionais continuam valendo integralmente.
O que está em discussão?
O formato atual — consolidado há anos — exige dos participantes a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas sobre um tema único de ordem social, científica, cultural ou política, seguido de uma proposta de intervenção.
A alteração em estudo pelo Inep pretende descentralizar essa avaliação. A ideia central é fragmentar a exigência de escrita em quatro produções menores, que estariam associadas diretamente às quatro grandes áreas cobradas no exame:
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- Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
- Matemática e suas Tecnologias;
- Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
- Ciências Humanas e suas Tecnologias.
O combate aos "modelos prontos"
Por trás da discussão técnica está a preocupação recorrente com a proliferação dos chamados "esqueletos" ou modelos de redação decorados. Nos últimos anos, popularizou-se no ecossistema de cursinhos preparatórios o uso de estruturas coringas — introduções, repertórios socioculturais e conectivos genéricos que podem ser aplicados a praticamente qualquer temática proposta pela banca.
Para o órgão regulador, a forte adesão a esses modelos prontos acaba premiando a memorização em detrimento da capacidade genuína de raciocínio crítico, argumentação contextualizada e domínio da escrita atrelada aos diferentes saberes acadêmicos. Com quatro produções menores integradas às disciplinas, o Inep avalia que conseguiria avaliar com mais precisão a diversidade de raciocínio e a profundidade de pensamento crítico dos estudantes.
O cronograma: o que vale agora e o que vem por aí?
- Enem 2026: Absolutamente nada muda. O exame mantém a estrutura clássica. O Inep, inclusive, já disponibilizou a cartilha oficial da redação para a edição vigente, reforçando as orientações tradicionais sobre critérios de correção, desvios gramaticais e fatores de anulação.
- Definição da proposta: O martelo sobre o novo formato de quatro textos ainda não foi batido e passará por análises técnicas e debates institucionais até o encerramento deste ano.
- Previsão de estreia: Caso o modelo seja aprovado e chancelado pelo Ministério da Educação, as novas regras só devem começar a valer a partir do Enem 2028, garantindo um período de transição e adaptação para escolas, professores e redes de ensino de todo o país.
