
O Sisu usa a nota do Enem e exige planejamento de quem sonha cursar Medicina em universidade pública
Divulgação/Freepik
Ingressar no curso de Medicina por uma universidade pública é o objetivo de milhares de estudantes todos os anos e, para isso, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é o principal caminho. Criado pelo Ministério da Educação (MEC), o Sisu seleciona candidatos com base exclusivamente na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sem cobrança de taxa de inscrição.
O sistema reúne vagas de universidades públicas de todo o país e funciona com uma nota de corte dinâmica, que muda diariamente de acordo com a pontuação dos inscritos. Medicina está entre os cursos mais concorridos, com notas de corte tradicionalmente altas, mas isso não significa que apenas pontuações acima de 780 pontos — média geralmente observada nas universidades — garantam a aprovação.
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Muitos candidatos buscam a chamada “nota perfeita”, mas ela não assegura a vaga, explica Luis Gustavo Megiolaro, diretor de Unidades Escolares do Poliedro. “O candidato precisa entender que a prova já foi feita e a nota já está definida. Agora é o momento da estratégia. Talvez não seja a nota que ele esperava ou gostaria de tirar, mas é possível transformá-la em uma oportunidade de ingresso na universidade e no curso desejado”, afirma.
No Sisu, o candidato pode escolher até duas opções de curso, indicando a ordem de preferência. Também é possível disputar vagas pela lista de espera, que costuma ser uma porta real de entrada para Medicina, especialmente após as chamadas regulares.
Segundo Megiolaro, acompanhar as listas de anos anteriores é fundamental para entender onde há mais chances de aprovação. “Quando o estudante analisa historicamente essa nota, ele percebe em quais universidades há oportunidade real de ingresso. A partir disso, consegue montar estratégias, com plano A, B e C, para que a nota, de fato, se transforme em uma chance de entrar em Medicina”, ressalta.
João Marcos Barreiros Joaquim, coordenador pedagógico do Poliedro Curso, complementa que controlar a impulsividade é essencial nesse momento, já que o sistema apresenta oscilações diárias. “É importante analisar a posição na fila, o corte provisório e, sobretudo, correlacionar esses dados com os resultados dos anos anteriores. Essa análise permite decisões mais sóbrias, coerentes e intencionais”, explica.
Estratégias para aumentar as chances em Medicina
Mais do que ansiedade, o Sisu exige estratégia e controle emocional. O estudante precisa avaliar sua posição no ranking, comparar com edições anteriores e evitar decisões impulsivas motivadas por variações momentâneas da nota de corte.
Não existe uma nota de corte fixa. Em geral, as notas para Medicina pelo Sisu variam entre 780 e 820 pontos, dependendo da universidade, da modalidade de concorrência (ampla ou cotas) e do perfil dos candidatos inscritos naquele ano.
Por isso, especialistas recomendam analisar os dados históricos dos últimos processos seletivos. Uma nota que parece insuficiente à primeira vista pode se mostrar competitiva em determinadas instituições ou campi.
Outro ponto-chave é considerar planos alternativos. Caso a aprovação não venha pelo Sisu, a nota do Enem também pode ser utilizada em faculdades privadas, por meio de programas como o Prouni, que oferece bolsas integrais ou parciais, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), incluindo o Fies Social, que permite financiar o curso e iniciar o pagamento apenas após a formatura.
João Pongelupe, diretor de Jornada do Candidato da Inspirali, destaca que, além da estratégia de nota, outros fatores devem pesar na escolha. “O candidato precisa avaliar custo de vida, proximidade da família, estrutura da instituição e campos de estágio. Medicina é um curso longo, intenso e emocionalmente exigente, e essas variáveis fazem diferença ao longo da formação”, pondera.
Ele reforça ainda a importância da participação da família no processo de decisão. “Converse com seus familiares sobre as possibilidades. Isso é fundamental, porque no Sisu é preciso escolher instituições nas quais realmente exista viabilidade de cursar”, orienta.
Para Pongelupe, o sonho da universidade pública é legítimo, mas não é o único caminho. “Há candidatos que acreditam que o Sisu é a única opção, mas existem alternativas como o Prouni e o Fies, que também utilizam a nota do Enem e permitem o acesso ao curso de Medicina”, afirma.
Como se inscrever no Sisu 2026?
As inscrições para o Sisu 2026 acontecem de 19 a 23 de janeiro, pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na internet. O processo é simples, gratuito e permite alterações durante todo o período de inscrição.
A recomendação é não deixar para a última hora. Assim que o sistema abrir, o estudante deve se inscrever, acompanhar diariamente sua posição na fila e observar as oscilações da nota de corte.
No Sisu, informação, planejamento e análise de dados podem valer tanto quanto alguns pontos a mais na prova.
