
Leitura constante, escrita frequente e foco são os três pilares para se dar bem no Enem
Divulgação/Freepik
Muitos estudantes passam meses decorando fórmulas, datas e conceitos, mas tropeçam em um ponto crucial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): a interpretação. A prova foi criada com base em situações-problema que exigem leitura crítica, análise de múltiplas fontes e conexão entre áreas do conhecimento — algo que vai muito além de memorizar conteúdos.
“O Enem mistura áreas o tempo todo. Uma questão de Matemática pode conversar com conceitos de Geografia ou História. E, se o aluno não entender bem o texto de apoio, não consegue nem começar a resolver”, explica Christian Carbone Matos, professor de Química do cursinho Maximize.
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Essa característica torna o exame mais desafiador, sobretudo para estudantes de escolas públicas, onde disciplinas como Artes, Sociologia e Filosofia vêm sendo reduzidas nos currículos. Para quem sonha com Medicina, carreira que exige as maiores notas do país, dominar leitura e interpretação é um diferencial competitivo.
Interpretação é a “matéria” que mais cai
“Eu sempre pergunto aos alunos: qual é a matéria que mais cai no Enem? Muitos dizem Matemática ou Redação, mas a resposta certa é interpretação de texto”, afirma o professor.
Essa habilidade permeia toda a prova. Mesmo em questões de Química ou Física, muitas vezes o conhecimento exigido é básico, e a diferença está em compreender corretamente enunciados longos, gráficos ou tabelas.
Além dos textos, a interpretação de gráficos é recorrente. “É uma linguagem própria. Se o aluno dominar a leitura de gráficos, já acerta várias questões simples”, completa.
Segundo o professor, a dificuldade dos candidatos costuma vir de dois fatores principais: vocabulário limitado e falta de foco. O Enem utiliza palavras que fogem do cotidiano e exige atenção concentrada por longos períodos, o oposto do consumo fragmentado das redes sociais.
“Muitos alunos sabem o conteúdo, mas erram porque não entenderam o que a questão pedia. Às vezes não extraem a informação certa ou se confundem com dados irrelevantes. O Enem é muito habilidoso em usar informações para testar a capacidade de leitura crítica”, explica.
Outro erro comum é encarar a leitura como etapa secundária. Uma interpretação equivocada pode comprometer toda a resolução, mesmo quando a matéria está dominada.
Interpretação também se treina nas Exatas
Ao contrário do que muitos imaginam, interpretação não é exclusividade das disciplinas de Linguagens ou Humanas. Questões de Matemática, Química e Física também exigem leitura atenta.
“Em Exatas, o aluno precisa dominar conceitos e entender a lógica por trás dos conteúdos. Em vez de decorar fórmulas, é importante compreender o problema real que a questão apresenta. Isso melhora muito a capacidade de interpretação”, orienta.
Essa mudança de abordagem evita que o candidato se perca ao encontrar palavras desconhecidas ou dados secundários. Em muitos casos, o erro vem do “hipertreino” em fórmulas, sem leitura estratégica.
Como transformar leitura em aliada na reta final
Mesmo com pouco tempo para a prova, ainda dá para fortalecer habilidades de leitura e interpretação de forma prática. O professor destaca três frentes principais:
- Leitura prazerosa e constante – Criar o hábito de ler diariamente, não apenas para “treinar”, mas por prazer, muda a relação com os textos da prova. Quando a leitura deixa de ser vista como um obstáculo, os enunciados longos deixam de assustar.
- Foco e desconexão digital – Reduzir distrações de redes sociais e treinar atenção prolongada são passos fundamentais. O Enem exige concentração contínua, especialmente nas provas de Humanas, com textos extensos e densos.
- Prática com estratégia – Resolver provas antigas com atenção aos enunciados, destacar palavras-chave, treinar interpretação de gráficos e marcar o tempo de resolução ajudam a melhorar o desempenho e a reduzir erros por impulsividade.
Além da leitura, ele enfatiza que a escrita tem papel essencial. Muitos estudantes digitam, mas escrevem pouco à mão, o que impacta tanto a redação quanto a interpretação. “A redação é a parte mais importante da prova e, muitas vezes, a que mais decide a nota final. Escrever com frequência ajuda a organizar o pensamento e melhora a clareza na interpretação”, afirma.
Para ele, dominar leitura e interpretação não é um detalhe: é uma estratégia central para conquistar uma vaga em cursos concorridos. “Leitura constante, escrita frequente e foco são os três pilares para se dar bem no Enem. A prova premia quem sabe interpretar, não apenas quem decora”, resume.
Correção ao vivo do Enem 2025!
A Band fará a correção ao vivo do gabarito extraoficial do Enem 2025 nos dois dias de prova, 9 e 16 de novembro, em parceria com o Quero Estudar Medicina.
Os candidatos poderão se cadastrar em enem.band.com.br para serem notificados por e-mail quando a live começar e também quando o gabarito extraoficial estiver disponível para download.
Nos dois domingos de aplicação, a partir das 18h30, o público poderá acompanhar a transmissão no YouTube (clique no sino para receber a notificação), TikTok e Instagram do Band Jornalismo, além do Bandplay.
