Por que saber ouvir é tão importante quanto saber diagnosticar

Uma boa comunicação e escuta ativa podem fazer parte da formação de um futuro médico antes mesmo da faculdade

Da redação
DA REDAÇÃO

30/07/2026 • 17:50 • Atualizado em 30/07/2026 • 17:50

Desenvolver habilidades humanas também faz parte desse caminho

Desenvolver habilidades humanas também faz parte desse caminho

Crédito: Magnific

Quem sonha em fazer medicina costuma imaginar que a preparação para a carreira começa com a aprovação no vestibular e continua com anos de estudos, provas, estágios e residência. Mas algumas das habilidades mais importantes para ser um bom médico podem começar a ser desenvolvidas muito antes de vestir o primeiro jaleco.

Compartilhar

Entre no canal do WhatsApp do Quero Estudar Medicina e receba conteúdos exclusivos.

Há quase 30 anos, um estudo publicado no JAMA, uma das mais importantes revistas médicas do mundo, já mostrava que a forma como o médico se comunica com o paciente pode fazer diferença no atendimento. A pesquisa, de 1997, analisou consultas e identificou uma relação entre a maneira de conversar, ouvir e orientar o paciente e o histórico de processos por erro médico.

Quase três décadas depois, a discussão continua atual. Em uma medicina cada vez mais marcada por tecnologia, inteligência artificial e grande volume de informações, a capacidade de escutar, demonstrar empatia, explicar com clareza e construir confiança permanece essencial.

Para quem está no ensino médio ou se prepara para o vestibular, fica uma lição importante: a formação de um futuro médico não começa apenas quando o estudante entra na faculdade. Ela também passa pelo desenvolvimento de habilidades humanas que serão fundamentais para cuidar de pessoas.

Três minutos que fazem diferença

Pesquisadores analisaram consultas de 124 médicos em Oregon e Colorado, nos Estados Unidos. O grupo reunia profissionais da atenção primária e cirurgiões. Os pesquisadores compararam médicos com e sem histórico de processos por erro médico e observaram como eles se comunicavam com os pacientes.

Entre os médicos da atenção primária sem histórico de processos, as consultas de rotina duravam, em média, 18,3 minutos. Entre aqueles que tinham histórico de processos, a média era de 15 minutos. A diferença era de apenas três minutos.

O estudo também identificou comportamentos de comunicação mais frequentes entre os médicos sem histórico de processos. Eles explicavam ao paciente o que aconteceria durante a consulta, verificavam se as informações haviam sido compreendidas, incentivavam perguntas, ouviam a opinião do paciente e utilizavam mais humor e leveza na interação.

Isso não significa que três minutos, isoladamente, impeçam um processo. A pesquisa encontrou uma associação entre tempo de consulta, comunicação e histórico de processos. O resultado chama atenção, porém, para algo essencial na formação médica: o modo como o profissional se relaciona com o paciente também faz parte do cuidado.

Crédito: IA

Crédito: IA

O que o vestibulando pode aprender com isso?

Para quem ainda está no ensino médio ou se preparando para o vestibular de medicina, a lição é começar a desenvolver essas habilidades desde já.

Um futuro médico pode praticar a escuta ativa em situações cotidianas, aprender a explicar assuntos complexos de maneira simples, fazer perguntas antes de tirar conclusões e prestar atenção ao que a outra pessoa realmente está dizendo.

Também é importante entender que comunicação não substitui conhecimento técnico. Na medicina, ela deve caminhar ao lado de ciência, ética, raciocínio clínico e responsabilidade.

Para quem está começando a construir uma carreira na medicina, estudar para ser médico não significa apenas aprender conteúdos. Significa também aprender a cuidar de pessoas.