
Métodos ativos superam hábitos tradicionais de memorização
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Técnicas tradicionais de estudo, como releitura e memorização, podem não ser as mais eficazes para aprender de verdade. Pesquisa conduzida por John Dunlosky, psicólogo e diretor do Science of Learning and Education Center, da Kent State University, aponta que as práticas amplamente utilizadas por estudantes nem sempre resultam em aprendizado duradouro.
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O estudo, desenvolvido em parceria com Christopher Hertzog, Maria Kennedy e Keith Thiede, destaca o papel do automonitoramento, que é a capacidade de o aluno avaliar o próprio desempenho e identificar lacunas no conhecimento, na aprendizagem.
Segundo os pesquisadores, esse processo permite direcionar melhor o tempo e o esforço de estudo, priorizando conteúdos ainda não consolidados. Diferentemente da memorização mecânica, a estratégia favorece uma aprendizagem mais ativa e consciente, com impacto positivo na retenção em diferentes perfis de estudantes e áreas do conhecimento.
Testes e revisões espaçadas lideram eficácia
Outros estudos reforçam que práticas como testes frequentes e revisão distribuída ao longo do tempo apresentam resultados mais consistentes. O psicólogo cognitivo norte-americano e professor da Universidade da Virgínia, Daniel T. Willingham, identifica que tais práticas são melhores para a retenção de conhecimento e destaca a importância de o aluno regular o próprio aprendizado, ajustando estratégias conforme suas dificuldades.
A realização de simulados, flashcards e questionários também ativa mecanismos cognitivos que fortalecem a memória, segundo os pesquisadores Henry L. Roediger III e Jeffrey D. Karpicke, em estudo publicado na revista Psychological Science. A pesquisa aponta que a prática aumenta significativamente a retenção de longo prazo em comparação com métodos passivos de estudo.
A chamada repetição espaçada também se destaca. Em uma meta-análise que reuniu diversos experimentos sobre memória, Nicholas J. Cepeda e colaboradores concluíram que distribuir as sessões de estudo ao longo do tempo produz ganhos significativamente maiores do que concentrar o aprendizado em um único período. Os intervalos entre revisões favorecem a consolidação das informações e reduzem o esquecimento.
O que deve ser evitado
Por outro lado, estratégias como estudar na véspera de provas e recorrer à memorização mecânica tendem a gerar resultados limitados. O psicólogo Robert A. Bjork, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), sinaliza que estratégias que exigem pouco esforço cognitivo produzem uma aprendizagem superficial, rapidamente esquecida após avaliações.
Práticas comuns, como releitura de anotações e uso de marca-texto, também têm eficácia questionada. Embora populares, elas criam apenas uma sensação de familiaridade com o conteúdo, sem promover aprendizado profundo, já que não envolvem o esforço de recuperar ativamente as informações, segundo o mesmo estudo publicado por Daniel T. Willingham.
Mais do que estudar, aprender melhor depende de como o estudo é feito. Com estratégias que exigem participação ativa do cérebro e favorecem a construção duradoura do conhecimento, é possível se preparar para provas concorridas, como Enem e vestibulares de medicina.

