
BTS em apresentação em Seoul, na Coreia do Sul
BIGHIT MUSIC/Netflix/Handout via REUTERS
O septeto sul-coreano BTS atingiu um feito histórico e foi classificado pelo jornal The New York Times como "possivelmente o maior fenômeno musical do mundo desde Michael Jackson". A análise da publicação norte-americana ocorreu após o grupo anunciar que não enviará o álbum Arirang para avaliação na disputa do Grammy Awards de 2027.
O anúncio de retirada da premiação foi feito simultaneamente pelos sete integrantes em suas redes sociais. No comunicado, o grupo afirmou: "Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma."
A decisão foi amplamente interpretada pelo mercado como uma resposta direta à Recording Academy, que havia anunciado recentemente a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance para premiar o pop asiático, incluindo K-pop, J-pop e C-pop.
Críticos e fãs questionam se a nova divisão pode afastar artistas asiáticos das categorias principais da premiação. A Recording Academy, no entanto, alega que o objetivo da mudança é reconhecer a expansão da música produzida na Ásia, sem impedir que esses trabalhos concorram nas categorias gerais. Primeiro grupo de K-pop indicado ao prêmio em 2019, o BTS acumula indicações históricas, mas nunca venceu o Grammy.
Paralelo com Michael Jackson
O The New York Times ampliou o debate para além da premiação e comparou a trajetória do BTS à de Michael Jackson. Segundo o jornal, ambos enfrentaram barreiras históricas sobre como a indústria fonográfica define quem pode ocupar o centro do mercado pop mundial.
A publicação relembrou que o álbum Off the Wall, lançado por Michael Jackson em 1979, ficou fora das categorias principais do Grammy em 1980, destacando a resistência histórica enfrentada por artistas negros nas plataformas influentes dos Estados Unidos. Para o jornal, o BTS alcançou uma influência capaz de colocar essas estruturas em xeque.
Mais do que discutir a criação de uma categoria específica, o texto do jornal norte-americano questiona os próprios critérios da indústria para definir o que é música pop, ressaltando que o gênero não possui características rígidas e assume o rótulo quando conquista o grande público.
A análise aborda o histórico de separação racial e mercadológica da indústria americana, na qual artistas negros foram frequentemente afastados do mainstream, mesmo produzindo músicas semelhantes às de artistas brancos aceitos pelo mercado. A discussão central levantada pela publicação é se as classificações por origem, idioma ou identidade cultural limitam o acesso de artistas ao mercado global.
Repercussão entre fãs de Taylor Swift
A comparação entre os fenômenos da música também gerou forte repercussão nas redes sociais entre os fãs de Taylor Swift, que questionaram a ausência da cantora na análise feita pelo jornal. O debate contrapôs duas formas de medir o impacto na indústria musical: os números de vendas, turnês e alcance comercial de Taylor Swift de um lado, e a influência internacional do BTS na expansão do K-pop do outro.
O The New York Times ponderou que a comparação não foi um ranking formal, mas uma referência histórica para dimensionar o impacto do BTS ao desafiar estruturas estabelecidas.
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