
Beija-Flor
Ricardo Moraes/Reuters
O Rio de Janeiro já vive a expectativa para o maior espetáculo da Terra. As doze escolas de samba do Grupo Especial definiram suas narrativas para o Carnaval 2026, prometendo noites de disputa acirrada e emoção à flor da pele. Do rock de Rita Lee à sabedoria ancestral da Amazônia, a avenida será palco de grandes histórias.
A Acadêmicos de Niterói, campeã da Série Ouro, abrirá as apresentações no domingo, 15 de fevereiro, no dia 16 mais quatro escolas desfilam e os últimos desfiles acontecem na terça-feira, 17 de fevereiro.
Confira os enredos que apresentará cada agremiação na busca pelo campeonato:
Acadêmicos de Niterói
Estreando na elite, a escola abre a noite contando a saga de um retirante que marcou a história política do país com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". A agremiação utilizará a metáfora do Mulungu — árvore resistente que floresce mesmo em tempos difíceis — para narrar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva e a esperança do povo trabalhador.
"Nada do que Lula fez, ele fez sozinho. Sua liderança nasceu, cresceu e se consolidou como expressão de um andar junto", diz um trecho da sinopse da escola.
Imperatriz Leopoldinense
A Rainha de Ramos aposta na transgressão e na genialidade artística ao apresentar "Camaleônico". O desfile será uma homenagem a Ney Matogrosso, celebrando sua voz inconfundível, suas performances revolucionárias e a capacidade de se reinventar e quebrar tabus, reafirmando a liberdade como estandarte.
“Cores, camadas, texturas, e movimentos de um artista exuberante chamado Ney Matogrosso. Pele de camaleão. Camaleônico”, afirmou a escola em um post nas redes sociais.
Portela
A Majestade do Samba leva para a avenida um mergulho inédito na história e na espiritualidade do Rio Grande do Sul com "O Mistério do Príncipe do Bará". A azul e branco contará a história do Príncipe Custódio, figura real e mística que teria assentado os fundamentos do Batuque (religião afro-gaúcha), conectando a nobreza africana aos pampas.
Em uma publicação nas redes sociais, a agremiação afirma: “O Carnaval 2026 da Portela será afro. A partir da figura mística, misteriosa e complexa do Príncipe Custódio, que por capricho do destino saiu do Benin e aterrou no Rio Grande, o negro gaúcho dará seu recado ao Brasil e ao mundo: eu existo”.
Estação Primeira de Mangueira
A Verde e Rosa viaja até o Amapá para exaltar a sabedoria da floresta por meio do "Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra". O enredo abordará a medicina da mata, o ritmo do marabaixo e a preservação ambiental sob a ótica dos saberes ancestrais, homenageando a figura icônica do curandeiro e parteiro da região.
“Evocamos a força das populações tradicionais, bebendo da sabedoria ancestral de um dos seus maiores expoentes, quem nos guia por essa Amazônia Negra do povo e do jeito Tucuju: Mestre Sacaca. Sob os pés do amapazeiro, é ele um Xamã Babalaô!”, disse a escola em publicação nas redes sociais.
Mocidade Independente de Padre Miguel
A escola da Vila Vintém promete incendiar a Sapucaí com irreverência ao cantar "Rita Lee, a Padroeira da Liberdade". Fugindo de uma biografia linear, o desfile capturará o espírito "rock'n'roll", a ironia e a defesa da emancipação feminina que marcaram a vida e a obra da eterna rainha do rock brasileiro.
"A Tropicalista do verbo sem freio. Pra farda uma língua e o dedo do meio. Cabelo de fogo e a lente encarnada. Mutante da pele marcada", diz um trecho do samba enredo de 2026 da Mocidade.
Beija-Flor de Nilópolis
A agremiação reafirma sua identidade negra e soberana com o enredo "Bembé do Mercado". A escola de Nilópolis vai recriar a tradicional celebração de Santo Amaro (BA) que comemora a Abolição da Escravatura, transformando a pista em um grande xirê de resistência e afirmação cultural do Recôncavo Baiano.
“Bembé é resistência ancestral. É ocupação, história, reparação, consolidação. É legado, liberdade, trabalho, persistência, muita fé, obrigação, lazer. E é enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2026”, disse a escola ao anunciar o enredo nas redes sociais.
Unidos do Viradouro
Atual potência do carnaval, a escola de Niterói fará uma justa homenagem em vida a um dos maiores ícones do ritmo carioca com "Pra Cima, Ciça". O desfile contará a trajetória do lendário Mestre Ciça, revolucionário das paradinhas, celebrando a "cadência" e a bateria como o coração pulsante da folia.
“Nosso grande homenageado e enredo para o ano que vem é um ídolo de muitas gerações e está em plena atividade no carnaval. Pra cima, Ciça!”, disse a escola nas redes sociais.
Unidos da Tijuca
A escola do Borel dará voz à literatura periférica com o enredo "Carolina Maria de Jesus". O desfile mergulhará na vida da autora de Quarto de Despejo, destacando sua poesia crua, a luta contra a fome e a potência de sua escrita que revelou ao mundo a realidade das favelas brasileiras.
“O título - o próprio nome da autora, ainda alvo de dúvidas e confusões - foi escolhido em virtude da necessidade de afirmarmos sua identidade, de colocarmos em lugar de direito a “escritora que foi favelada” ao invés da “favelada que escrevia”. Desfraldaremos, feito pavilhão engalando, o lenço que foi a prisão imagética de Carolina, coroando-a de livros, recortes e poesias, num reencontro sensível e emocionante com a sua literatura visceral, verdadeira e comovente. Que a fome seja de conhecimento; que a dignidade suplante a miséria e que sejamos sempre porta-vozes da cultura deste país desigual, mas rico de força e virtudes”, escreve a escola.
Paraíso do Tuiuti
Sempre trazendo temáticas densas e culturais, a escola de São Cristóvão apresenta "Lonã Ifá Lukumi". O carnavalesco Jack Vasconcelos propõe uma viagem visualmente rica pela Santería Cubana e sua conexão com o Ifá, explorando os orixás e a ancestralidade compartilhada que une as rotas entre Brasil e Cuba.
Unidos de Vila Isabel
A Vila aposta na poesia e no onírico com "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África". Heitor dos Prazeres, um dos grandes nomes da cultura brasileira, reconhecido por sua trajetória como compositor, pintor e sambista carioca é o homenageado da escola.
"O enredo que eu, a Unidos de Vila Isabel, sonhei e vou contar a vocês celebra as memórias e os percursos de “um homem do povo”, multiartista, sambista, inventor, embaixador, sonhador de uma nova-velha África, uma África que se abraça no coração do Rio de Janeiro", texto postado pela escola no Instagram.
Acadêmicos do Grande Rio
A tricolor de Caxias volta a olhar para suas raízes geográficas e espirituais com "A Nação do Mangue". O enredo exaltará o ecossistema do manguezal não apenas como natureza, mas como berço de vida, cultura e fé, conectando a preservação ambiental às tradições dos povos que vivem da lama e do caranguejo.
“Vamos vestir o manifesto das margens e coroar seus meninos caranguejos. Vamos fincar nossas lanças e nossas antenas na lama. Nosso mundo livre começa agora. Salve o Manguebeat!”, disse a escola em uma publicação nas redes sociais.
Acadêmicos do Salgueiro
Encerrando os desfiles com chave de ouro, a vermelha e branca apresenta "A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau". A escola conta a história de Rosa Magalhães, carnavalesca com mais títulos na história do sambódromo da Marquês de Sapucaí. A artista, que colecionou sete títulos ao longo de mais de 50 anos de carnaval, morreu em julho de 2024.
“Na quietude da biblioteca, cada página parece virar sozinha, movida pelo sopro da memória e pelo encantamento de um povo que sabe que sua maior riqueza é o samba. E ali, onde a beleza do gesto encontra a força da tradição, nasce um samba para Rosa feito de amor, de sonho e da eternidade que pulsa no nosso Torrão Amado”, disse a agremiação em um post nas redes sociais.
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