Carnaval

"Pelo Telefone": ouça e relembre primeiro samba gravado no Brasil

Marco histórico de 1916 é o tema central do Carnaval de Salvador em 2026, celebrando a resistência de Tia Ciata e a evolução de um gênero que é a alma do país.

Júlia Cabral
JÚLIA CABRAL

15/02/2026 • 17:17 • Atualizado em 15/02/2026 • 17:17

O Carnaval de Salvador em 2026 faz uma viagem no tempo para reverenciar as origens da música brasileira. O tema deste ano é "Pelo Telefone", composição de Donga e Mauro de Almeida que, em 1916, tornou-se o primeiro samba registrado oficialmente no Brasil. Mais do que uma canção, a obra é um documento histórico que nasceu das criações coletivas na icônica Casa de Tia Ciata, na Praça Onze, no Rio de Janeiro.

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Lançada comercialmente em 1917, a letra de "Pelo Telefone" trazia uma sátira à corrupção policial da época, provando que o samba já nasceu com o DNA da crônica social e da resistência. Hoje, mais de um século depois, o gênero prova sua imortalidade ao ocupar o centro da maior festa de rua do mundo na capital baiana.

A força do samba em 2026 é tão potente que resiste através da voz das maiores estrelas da atualidade, como Ivete Sangalo, que rodado o país com seu projeto de samba “Clareou".

O Olodum como "Escola de Samba"

Durante a transmissão, uma curiosidade chamou a atenção dos foliões: a conexão profunda entre o samba e o samba-reggae. Como bem lembrou Gilberto Gil, o Olodum pode ser considerado a grande "escola de samba" da Bahia.

Sucessos inesquecíveis como "Requebra", composição de Pierre Onassis, carregam a pulsação do samba em seu cerne. Essa mistura rítmica é o que define a identidade cultural de Salvador, onde o samba não apenas nasceu, mas se reinventou para dar vida a movimentos como o Axé Music e os blocos afro.

Memória e doçura: o legado de Riachão

A cobertura do Band Folia também rendeu homenagens a Riachão, um dos maiores baluartes do samba baiano. Entre as lembranças carinhosas, Pâmela Lucciola recordou a simplicidade do mestre, que tinha como marca registrada a toalhinha no ombro e o hábito de distribuir balas para quem o entrevistava. "O samba é a alma musical do Brasil e não vai acabar se depender dessa nova geração", concluiu a jornalista baiana.

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