Enredo
Viva o hoje! O Amanhã? Fica pra depois... O enredo da União da Ilha do Governador, aborda a perspectiva carioca em 1910, ano de passagem do Cometa Halley pela cidade do Rio de Janeiro. O The New York Times prenunciou o que poderia ser o início do fim dos tempos, no começo do século XX. A chegada do mais famoso cometa do Universo traria, finalmente, o dia mais esperado pelas civilizações: o Apocalipse seria real? Em um tempo em que a ciência não era avançada, o mundo previa os ensinamentos dos alquimistas como verdade absoluta. O tocar da cauda do cometa, batizado como Halley, poderia trazer à face terrestre gases poluentes que dizimariam a vida no planeta Terra. Dizimou reinados, destruiu impérios, renovou o sentimento dos mais sábios. Durante muito tempo, o Halley foi o prenúncio de uma nova era espiritual e de ensinamentos para a humanidade. Mas, afinal, como os brasileiros reagiriam a isso tudo? O Rio de Janeiro estremeceu com a notícia, que gerou grande ansiedade no mundo. De que maneira os cariocas se comportaram diante da chegada do Cometa Halley em terras sul-americanas? A Cidade Maravilhosa soube se desvencilhar do medo e transportá-lo para a alegria peculiar do carnaval carioca. O tal astro deixou seu legado de esperança em uma cidade em plena transformação social. Os cariocas viveram o 19 de maio de 1910 como se o hoje não dependesse do amanhã. Alegria que culminou nos dias de folia do carnaval posterior, em 1911, preenchendo as ruas centrais de festa, em um momento de comunhão e perseverança que, até hoje, precisamos emanar ao mundo.
Comissão de frente
Os cariocas tomaram as ruas com ansiedade a observar um espetáculo caótico que poderia surgir nos céus do Rio de Janeiro no início do último século. João do Rio é o grande cronista a registrar a sociabilidade do povo da Rio Halley X*, a babel francesa dos trópicos. A sensação eminente de que algo letal pudesse acontecer, fez que muitos deixassem aflorar suas mais ambíguas vontades e desejos. O medo vira euforia. Se o mundo vai acabar, por que esconder quem somos? Se este é o último dia, que seja vivido com a intensidade de uma eternidade. Pensamentos reprimidos — luxúria, raiva, paixão e liberdade — ganham vida em movimentos fluidos, sensuais e caóticos. Segredos guardados por uma vida inteira, são gritados ao vento. Amores escondidos revelam-se em praça pública. A comissão de frente da União da Ilha do Governador retrata esse "último dia" — momento em que a normalidade se rompe diante da iminência do fim. Se o mundo vai acabar, por que esconder quem somos? A repressão da sociedade conservadora desmorona. Corpos se libertam. A passagem de um dos astros mais famosos do Universo, obriga o ser humano a olhar para dentro de si.
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira
O Halley segue sendo por milhares de anos o cometa mais famoso do universo. A Via Láctea, como uma galáxia aspiral, se torna mãe embrionária para origem do homenageado da União da Ilha do Governador. Detentora de todos os astros do Sistema solar, que bailam sob a cintilante imensidão do Halley, num infinito ainda desconhecido por nós humanos.
Abre-alas
- 1º SETOR – MISSÃO I: A CHEGADA DO COMETA
- COMISSÃO DE FRENTE:
- Coreógrafo: Junior Scapin. Significado: Olhos vidrados no céu, de uma moderna babel em loucura tamanha. Elemento Cenográfico: O Observatório da Avenida Central.
- GRUPO DE ADEREÇOS I – O profeta do caos.
- Mestre-Sala: João Oliveira.
- Porta-Bandeira: Duda Martins. Significado: Via Láctea – O bailar dos astros.
- GRUPO DE ADEREÇOS II – O profeta do caos.
- ALA 01 – Lunetas galácticas.
- ALA 02 – Pílulas anti-cometas.
- ALA 03 – Guarda-chuva estrelar.
- ALA 04 – Balões festivos.
- MADRINHA DA ESCOLA – INGRIDE BANZO – Houri da Rio-Halley X.
- CARRO ABRE-ALAS – Será que o mensageiro desse caos sou eu?
- GRUPO DE ADEREÇOS III – O profeta do caos. O Grupo de Adereços III se apresenta nas duas laterais do Carro Abre-Alas.
Rainha de bateria
Gracyanne Barbosa
Samba-enredo
Autores: Wagnão, Rony Sena, Jotapê, João Vidal, Vinicius Moro, Renan Diniz, Paulo Beckham e Gigi da Estiva.
Hoje mirando o horizonte Eu vi uma "terra" pra lá de estranhaOlhos vidrados no céu, moderna babelQue loucura tamanhaSerá... Que o mensageiro desse caos sou eu?Ou esse povo ainda não entendeuQue a fé no porvir, não muda o agoraAcreditar que tudo vai se acabarSó deixa o mundo de "pernas pro ar"Então não se culpe e só se preocupe ao chegar a hora
Descobri um rio de janeiro bon-vivantRebuliço carioca dura até de manhãPoesia nas calçadas, festa batucadaPartideiro versejando pelas madrugadas
Ao longe também, eu vivi fevereiro de 26Fiquei encantado com tantos cordõesPra fazer história... Então fui enredoMeu sonho era estar entre os foliõesPerder o juízo, pra mim nunca foi opçãoMas sei que é preciso um rastro de inspiraçãoViva o hoje! Esqueça o depois de vezEsse é meu conselho a vocêsIlha... Te entrego com carinho o meu diárioLições dessa jornada que bendizSer presente é o segredo para ser feliz
Coração insulano bate dentro do peitoAprendi a te amar, agora não tem jeitoUm dia eu volto pra te ver, meu grande amorUnião da Ilha do Governador.
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