Carnaval

Beija-Flor e Viradouro brilham no segundo dia do Grupo Especial do RJ

Da celebração ao candomblé baiano à força da literatura periférica, Sapucaí vive noite de alto nível

Da redação
DA REDAÇÃO

17/02/2026 • 05:13 • Atualizado em 17/02/2026 • 05:13

Beija-Flor celebrou a maior festa de candomblé de rua do mundo

Beija-Flor celebrou a maior festa de candomblé de rua do mundo

REUTERS/Pilar Olivares

Outras quatro escolas cruzaram a Marquês de Sapucaí entre a noite desta segunda-feira (16) e a madrugada de terça (17), no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Beija-Flor e Unidos de Viradouro despontaram como os destaques da noite.

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Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também passaram pela avenida. Assim como na primeira noite, todas as escolas cumpriram o tempo regulamentar e passaram pelo portão dentro limite de 80 minutos.

Na abertura do Grupo Especial, domingo e segunda-feira, passaram pela avenida a Imperatriz Leopoldinense, a Estação Primeira de Mangueira, a Acadêmicos de Niterói e a Portela.

Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos da Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro fecham as apresentações do Grupo Especial em 2026 entre a noite desta terça e madrugada de quarta.

Mocidade Independente de Padre Miguel

A escola da Zona Oeste do Rio abriu a segunda noite do Grupo Especial com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, em homenagem à rainha do rock brasileiro, que morreu em 2023, aos 75 anos.

A Verde e Branca percorreu diferentes fases da trajetória da artista, da era hippie e psicodélica ao protagonismo histórico como a primeira mulher a liderar uma banda de rock no país. O desfile destacou ainda sua consolidação como um dos principais símbolos do Tropicalismo e o enfrentamento constante aos setores conservadores da sociedade.

O embate com a ditadura militar ganhou espaço central na narrativa. A alegoria “Xadrez 21” rememorou o episódio em que Rita, então com 28 anos e grávida do primeiro filho, foi presa sob acusação de porte de maconha. Ela permaneceu duas semanas detida antes de ser condenada a um ano de prisão domiciliar.

A escola também ressaltou o interesse da cantora pelo misticismo e pela temática extraterrestre, além de seu amor pelos animais — um dos pedidos da família foi que não fossem utilizados materiais de origem animal nas fantasias e alegorias. Um dos carros homenageou o Cão Orelha, morto após ser espancado em Santa Catarina.

Beija-Flor

Atual campeã, a escola de Nilópolis voltou à Sapucaí em busca do bicampeonato com o enredo “Bembé do Mercado”, uma celebração ao maior e único candomblé de rua do mundo, realizado desde o fim do século XIX em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. A manifestação é reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A Deusa da Passarela marcou o início de uma nova fase ao ter como intérpretes Nino do Milênio e Jéssica Martin – ela, a única mulher a ocupar o posto no Grupo Especial. Ícone da escola, Neguinho da Beija-Flor, que deixou a função em 2025 após quase meio século, desfilou como baluarte.

Com uma apresentação tecnicamente irretocável, a Azul e Branca se credencia como forte candidata ao título. Em sintonia com o refrão do samba, a escola fez a Sapucaí "virar macumba", evocando Iemanjá e Oxum em fantasias predominantemente brancas e douradas, além de alegorias grandiosas que transformaram a avenida em uma grande celebração da fé.

Unidos de Viradouro

Diferentemente de enredos que exaltam personagens históricos ou grandes celebrações populares, a Vermelho e Branco buscou sua inspiração dentro de casa. Com o enredo “Pra Cima, Ciça!”, a vermelho e branca prestou homenagem em vida a Mestre Ciça, considerado um dos maiores – senão o maior – mestre de bateria da história do carnaval carioca e integrante da própria agremiação.

A escola de Niterói fez um desfile que deixou um recado claro para as adversárias: quer o título em 2026. Dos diversos pontos altos, ganham destaque o próprio Ciça, que surgiu de surpresa no abre-alas, uma alegoria reunindo mestres de bateria de diferentes escolas e o retorno de Juliana Paes ao posto de rainha de bateria após 18 anos.

O ápice da apresentação foi a reedição de um dos momentos mais icônicos do carnaval: o homenageado voltou a comandar a Furacão Vermelho e Branco, bateria da agremiação, do alto de um carro alegórico, repetindo a performance de 2007 que marcou época.

Unidos da Tijuca

A última escola a se apresentar em uma noite de “briga de cachorro grande” levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Maria Carolina de Jesus”, recontando a trajetória da escritora desde a infância em Minas Gerais até o reconhecimento nacional de sua obra.

A homenageada foi apresentada a partir de Quarto de Despejo, sua primeira e principal obra, construída a partir de seus diários. Nela, Carolina retrata o cotidiano na Favela do Canindé, em São Paulo, expondo a fome, a desigualdade e sua rotina como catadora de materiais recicláveis.

O desfile também destacou títulos posteriores, como Casa de Alvenaria e Diário de Bitita, ampliando o olhar sobre a vida da autora para além do período na favela e revelando a dimensão sociocultural da mineira.

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