Carnaval

Paolla Oliveira rouba a cena em desfile gigante do Bola Preta

Desfile reúne foliões de várias gerações, corte de artistas e ações de compensação de carbono

Da redação
DA REDAÇÃO

14/02/2026 • 12:45 • Atualizado em 14/02/2026 • 12:45

Bloco Cordão da Bola Preta no cortejo de Carnaval no centro do Rio de Janeiro

Bloco Cordão da Bola Preta no cortejo de Carnaval no centro do Rio de Janeiro

Tomaz Silva/Agência Brasil

Como acontece há 107 carnavais, foliões vestidos de branco com bolinhas pretas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro na manhã deste sábado (14). É o desfile do Cordão do Bola Preta, que destacou no tema deste ano a própria relevância histórica como bloco mais antigo em atividade no país: "Bola Preta, DNA do Carnaval".

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O desfile manteve o trajeto tradicional, com concentração na rua Primeiro de Março e passagem pela avenida Presidente Antônio Carlos, reunindo cariocas, turistas, famílias, idosos e crianças, todos embalados por marchinhas e pelo hino oficial “Quem Não Chora, Não Mama”.

A carioca Luana Flor, recém-formada em fisioterapia, decidiu comemorar o novo momento dançando e cantando no bloco. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa.” “Estou aqui para curtir mesmo, mas se a Paolla Oliveira e a Leandra Leal aparecerem, vou tentar tirar uma foto com as divas também”, completou.

Ninguém estava mais empolgada com a possibilidade de encontrar Paolla Oliveira do que a foliã Eliane Silva. Vestida com as cores do bloco, ela carregava um cartaz de mais de um metro de altura com um apelo para a atriz tirar uma foto com ela: “Paolla, só mais um foto comigo? Prometo parar... (na próxima encarnação)”.

Embaixo da frase, três registros feitos em carnavais passados. “Acompanho o Bola Preta há 15 anos e, como acontece todo ano, estou aqui à espera da nossa grande rainha”, diz Eliane.

Poucos minutos antes do início oficial da festa, gritos da multidão anunciaram a chegada da rainha do bloco. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, perguntou Paolla à reportagem da Agência Brasil, enquanto apontava para os foliões que se espremiam atrás do cordão de isolamento, eufóricos com a presença da atriz.

“É o povo que faz isso tudo possível. Este ano comecei o Carnaval em Salvador, mas depois tive que vir logo para cá, que tem sido o meu primeiro dia de festa. Estou super no clima do Carnaval de rua, junto com o povo, está tudo ótimo.”

Corte reúne artistas e mantém tradição do desfile

À frente do cortejo, a tradicional Corte Real reforçou o brilho do desfile. Além de Paolla, participaram Maria Rita (madrinha), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas).

Neste ano, a corte ganhou reforço com a estreia das novas musas de 2026: Lú Bandeira, Flavia Jooris e Andrea Martins. Elas se juntam às musas Ju Knust, Thai Rodrigues, Taissa Marins e Luara Bombom, além do muso Amauri Junior. A animação ficou por conta da tradicional Banda do Cordão da Bola Preta, sob regência do maestro Altamiro Gonçalves.

Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco mantém parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para medir as emissões de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos. A iniciativa permite a compensação de carbono do desfile.

Bloco atravessa mais de um século da história do Carnaval

O Cordão da Bola Preta completou 107 anos no último dia 31 de dezembro. Fundado em 1918, o bloco mantém uma trajetória entrelaçada à história do Carnaval brasileiro, especialmente a festa de rua. Nesse período, atravessou guerras, mudanças políticas, períodos de censura e a pandemia de covid-19.

“O DNA do Cordão da Bola Preta começou em 1917 com a dissidência de alguns membros do Clube dos Democráticos. Inicialmente, eles criaram o Grupo Só Bebe Água, cujo símbolo era um barril de chope com 18 torneiras. O que eles menos bebiam era água”, diz Pedro Ernesto, presidente do bloco.

“Nenhum deles abandonou o objetivo de fundar um cordão carnavalesco e seguiram com esse objetivo mesmo com decisão do chefe da polícia Aurelino Leal, que havia proibido a criação de novos cordões”, complementa.

O presidente relembra que a inspiração para o nome do Bola Preta veio de uma mulher de vestido branco com bolas pretas que surgiu diante do grupo no Bar Nacional, na Galeria Cruzeiro, onde hoje está o Edifício Avenida Central. “A essência dos fundadores do Cordão da Bola Preta se mantém até hoje e é a razão de sermos sempre fortes, pujantes e termos superado muitas crises na trajetória de vida do bloco”, afirma.

Reconhecimento como patrimônio e projeto de centro cultural

Em julho do ano passado, o Cordão da Bola Preta foi reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Na semana passada, a prefeitura anunciou que o bloco ganhará um centro cultural em sua sede, na Lapa. As obras terão início no primeiro semestre deste ano e devem durar oito meses.

Segundo o projeto, serão reconstruídos um sobrado, fachadas e esquadrias, além da modernização das instalações. A área total a ser recuperada é de 1,2 mil metros quadrados, com capacidade para receber cerca de 1,2 mil pessoas.

Com informações da Agência Brasil.

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