Carnaval

Quem é Laíla, carnavalesco homenageado pela Beija-Flor no Carnaval?

Escola homenageou Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, um dos principais nomes dos desfiles da Sapucaí

Da redação
DA REDAÇÃO

04/03/2025 • 10:18 • Atualizado em 04/03/2025 • 10:18

Laíla, carnavalesco da Beija-Flor

Laíla, carnavalesco da Beija-Flor

Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil

"Terreiro de Laíla, meu griô". A Beija-Flor surpreendeu a Sapucaí no segundo dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Com o enredo "Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas", a agremiação de Neguinho da Beija-Flor homenageou o carnavalesco que marcou a história do Carnaval carioca. O enredo trouxe o título pela 15ª vez para Nilópolis.O desfile, que durou 76 minutos, trouxe a história de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, apelidado de Laíla na infância e que morreu aos 78 anos em 2021, vítima de Covid-19. O enredo também traz a conexão religiosa com o carnavalesco, que teve a carreira marcada por reverenciar e professar a fé em Deus e a força dos orixás.

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Quem foi Laíla?

Laíla se tornou samba-enredo da Beija Flor | Reprodução

Laíla se tornou samba-enredo da Beija Flor | Reprodução

Nascido em 27 de maio de 1943, Luiz Fernando Ribeiro do Carmo é cria do Morro do Salgueiro. Laíla, apelido de infância que se tornou nome artístico, nasceu a partir da dificuldade de pronunciar a fruta laranja. Sambista, cantor, compositor, carnavalesco, diretor e produtor musical, Laíla fez sucesso no Carnaval do Rio de Janeiro e se tornou baluarte da festa popular. Pela Beija-Flor, Laíla conquistou oito vezes o título de campeão dos desfiles do Grupo Especial. Ao todo, ele ganhou 17 títulos no Grupo Especial. Pela agremiação, ele participou dos primeiros campeonatos nos anos 70, quando a escola despontou como potência do Carnaval e estabeleceu um novo padrão de luxo. No fim dos anos 90, Laíla mudou os desenvolvimentos dos desfiles, dominando as disputas até os anos 2000. O carnavalesco é conhecido por cunhar o 'rolo compressor' da Beija-Flor, com desfiles com canto e evoluções fortes, conquistando títulos 'no chão'. Ao lado de Joãosinho Trinta, Laíla assinou o lendário desfile "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", uma crítica social aos conceitos de lixo e luxo, usando metáforas para questionar a política, sexo e religião. Foi neste desfile em que uma imagem de Jesus crucificado aparece envolvido em sacos pretos escrito "Mesmo proibido, olhai por nós", após a Justiça proibir a exibição do carro. Apesar de campeão pela Beija-Flor, a origem de Laíla é no Salgueiro, onde participou da 'revolução salgueirense', atuando com Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta. Laíla também trabalhou em outras escolas, como Unidos da Tijuca, Grande Rio, Vila Isabel, Peruche e Águia de Ouro. A última escola que Laíla trabalhou foi a União da Ilha, em 2020. Laíla morreu em 18 de junho de 2021 por complicações da Covid-19, após cinco dias internados no Hospital Albert Sabin, no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Ele já havia recebido as duas doses da vacina Coronavac, mas não sobreviveu às complicações da doença. Ele deixou a esposa, com quem era casado há 56 anos e duas filhas, Laísa e Denize.

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