Carnaval

Vila Isabel e Salgueiro brilham no último dia do Grupo Especial do RJ

Escolas homenagearam Heitor dos Prazeres e Rosa Magalhães; Tuiuti e Grande Rio fecharam o carnaval carioca

Da redação
DA REDAÇÃO

18/02/2026 • 05:14 • Atualizado em 18/02/2026 • 05:14

Martinho da Vila participou de desfile na Vila Isabel

Martinho da Vila participou de desfile na Vila Isabel

Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

As últimas quatro escolas cruzaram a Marquês de Sapucaí entre a noite desta terça-feira (17) e a madrugada de quarta (18), no terceiro e último dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Unidos de Vila Isabel e Acadêmicos do Salgueiro foram os grandes destaques.

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Paraíso do Tuiuti e Acadêmicos do Grande Rio também passaram pela avenida. Assim como nas noites anteriores, todas as escolas cumpriram o tempo regulamentar e passaram pelo portão dentro limite de 80 minutos.

A apuração que definirá a campeã do carnaval do Rio e as escolas que participarão do desfile das campeãs será nesta quarta às 16h.

Paraíso do Tuiuti

A escola de São Cristóvão abriu o último dia de desfiles na Passarela do Samba com um mergulho na tradição Lucumí, religião afro-cubana de matriz iorubá, e suas raízes espirituais e históricas conectadas ao Brasil no enredo “Lonã Ifá Lukumi”.

Dentre os pontos altos da apresentação estiveram o samba-enredo, considerado um dos melhores do ano, a comissão de frente com suas elaboradas “roupas de maquiagem”, a sintonia entre os atabaques e a rainha de bateria, Mayara Lima, em uma coreografia inédita e a emocionante reverência das baianas aos orixás primordiais.

Apesar do impacto, a escola enfrentou problemas técnicos. O imenso abre-alas, com cerca de 60 metros de extensão, apresentou avarias ao longo do percurso, e falhas de acabamento foram perceptíveis em outras alegorias. Buracos entre alas também comprometeram a evolução e podem custar décimos preciosos na apuração.

Unidos de Vila Isabel

A escola de Noel Rosa, inspirada na vida e na obra do multiartista Heitor dos Prazeres, levou à Sapucaí o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, em uma celebração das raízes afro-brasileiras do samba.

Na avenida, a agremiação da Zona Norte transformou a Marquês de Sapucaí em uma grande aquarela. O samba-enredo, apontado como o melhor da safra, embalou o público e sustentou a narrativa com força.

Entre os destaques estiveram as participações especiais de Vilma Nascimento, histórica porta-bandeira da Portela, e de Manoel Dionísio, referência como mestre-sala da Mangueira e formador de diversos casais, além da homenagem da ala das baianas à Tia Ciata, figura central na consolidação do samba no Rio e a reverência a Oxum, orixá de cabeça de Heitor. Um desfile que credencia a Azul e Branca a brigar nas cabeças.

Acadêmicos da Grande Rio

A escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, levou à Sapucaí uma homenagem ao movimento Manguebeat, surgido no Recife nos anos 90 como expressão de contracultura, no enredo “A Nação do Mangue”.

A campeã de 2022 levou referências a Nanã, orixá ligada à lama e aos manguezais, além de destacar aqueles que vivem às margens dos mangues e rios da capital pernambucana além de contextualizar o cenário social da época, quando Recife chegou a figurar entre as piores cidades do mundo para se viver.

A estreante Virgínia Fonseca, rainha de bateria, recebeu algumas vaias mescladas a aplausos do público quando anunciada. A passagem da influenciadora pela avenida foi marcada por problemas com a fantasia. Com dores, a namorada de Vinícius Júnior tirou o costeiro de cerca de 12 quilos algumas vezes durante o trajeto e encerrou seu desfile sem ele, além do tapa-sexo descolar parcialmente, mas não deixou sua genitália à mostra – o que poderia fazer a escola perder 0,5 ponto caso ocorresse.

Acadêmicos do Salgueiro

O Salgueiro fechou, pela primeira vez em sua história, os desfiles com uma homenagem a uma das maiores personagens da história do carnaval: a professora Rosa Magalhães, maior campeã da Sapucaí.

O enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, do bacalhau e do pirata da perna-de-pau” contou, com maestria, a trajetória da heptacampeã do carnaval carioca com referências a desfiles realizados nas diversas agremiações que passou.

A escola já entrou na avenida visada depois de publicar, horas antes de seu desfile, um comunicado afirmando manter “plena confiança na realização de julgamentos justos”. A nota gerou repercussão e foi vista como um recado indireto à polêmica envolvendo as notas recebidas pela escola e o título da Beija-Flor em 2025.

Segundo o jornal O Globo, haveria, nos bastidores, um racha entre bicheiros da nova e da velha geração. Adilson Coutinho Filho, o Arlindinho, patrono da escola, teria ligado as notas baixas recebidas pela escola da Tijuca no ano anterior pela relação ruim que nutre com a chamada “velha guarda” da contravenção, que integram Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, patrono da Vila Isabel e Anísio Abrahão David, patrono da Beija-Flor e pai de Gabriel David, atual presidente da Liesa.

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