
Travis Scott será headliner pela primeira vez no RIR
Reprodução YouTube
Aos 34 anos, Travis Scott consolidou sua reputação como um dos nomes mais influentes do trap mundial e dono da turnê solo de rap de maior arrecadação da história. Agora, o artista norte-americano expande suas fronteiras e ingressa em um novo patamar de mercado ao fazer sua estreia no cinema em A Odisseia, épico dirigido por Christopher Nolan.
Em entrevista exclusiva à revista Variety, o rapper revelou detalhes dos bastidores de sua participação no filme e detalhou a expansão da Cactus Jack, sua marca de entretenimento e produtos de consumo, que acaba de assinar um contrato de desenvolvimento de projetos com a Paramount Pictures.
Pânico em set italiano e a aprovação de Christopher Nolan
Apesar de acostumado a se apresentar para multidões em estádios lotados, Travis Scott admitiu à Variety que sentiu a pressão logo no primeiro dia de filmagens em um castelo na Itália, onde precisou subir em uma mesa de madeira para recitar o poema clássico de Homero diante do elenco.
"Eu estava morrendo de medo. Não era como a loucura de um show meu ou a gente curtindo uma festa. Era algo sério. Tinha uma câmera na minha cara, o Nolan bem ali e atores do nível de Anne Hathaway, Tom Holland e Robert Pattinson totalmente concentrados nos papéis", revelou o rapper.
A escolha da cena no primeiro dia de gravações foi proposital. Em entrevista à publicação norte-americana, Christopher Nolan contou que colocou o cantor no limite como um teste para a atuação.
"Eu disse a ele: 'Ok, Travis, pule na mesa, comece a recitar a Canção de Ulisses e segure a atenção do ambiente'. Eu não o contratei como músico, mas sim como ator. Queria alguém em cena capaz de declamar versos e prender a atenção da sala de forma crível e moderna, trazendo a emoção da poesia orquestrada que costumava existir na Grécia Antiga", explicou o diretor.
A parceria entre os dois começou em 2020, quando o rapper gravou a faixa dos créditos de Tenet. Em A Odisseia, além da atuação no início do longa, o artista divide com Nolan o crédito de composição da música tema dos créditos finais, intitulada "When I’m Home", produzida ao lado de Ludwig Göransson e com vocais de James Blake.
Acordo com a Paramount e visão de negócios
O papel no longa-metragem marca a transição de Travis Scott para o mercado executivo de Hollywood. Sua empresa, a Cactus Jack — que já acumula parcerias de sucesso com marcas como Nike, Jordan, McDonald's e Fortnite —, assinou um acordo de preferência (first-look deal) com a Paramount Pictures para desenvolver projetos de cinema, televisão e experiências imersivas.
Segundo o copresidente da Paramount Pictures, Josh Greenstein, em declaração à Variety, a capacidade do artista em ditar tendências foi o fator determinante para a parceria comercial:
"A criatividade dele emana de todos os poros, desde as roupas até os carros e a música. O nível de gosto dele move a cultura, e isso é um superpoder", declarou o executivo.
Para o rapper, o objetivo no cinema é resgatar o valor das salas tradicionais de exibição contra a hegemonia dos serviços de streaming.
"É legal ter o streaming, mas precisamos manter os cinemas vivos. É muito preguiçoso ficar no sofá. As pessoas trabalham meses no design de som dos filmes e a maioria nem tem um sistema de som adequado em casa. Ir ao cinema é ver a visão criativa completa", destacou o artista à publicação.
Histórico polêmico e exigências no Brasil
Em sua passagem anterior pelo Brasil, durante o Rock in Rio 2024, Travis Scott acumula episódios tumultuados. Além de atrasar a apresentação em 40 minutos — compensando o público ao vestir uma camisa retrô do Flamengo de 1999 no palco —, o artista criticou a organização do festival durante o show e proibiu a transmissão de sua performance ao vivo pela televisão.
Nos bastidores do The Town, o discurso de "bad boy" se mantém. O cantor exigiu a proibição do tradicional fuso de imprensa (pit de fotógrafos) à beira do palco. Com a restrição, nenhum profissional de imprensa ou cinegrafista está autorizado a registrar as primeiras músicas da apresentação no espaço reservado à frente da estrutura.
Fora dos compromissos profissionais, as passagens do dono dos hits "Goosebumps" e "SICKO Mode" pelo país costumam ser marcadas por ostentação. Em sua última visita ao Rio de Janeiro, o rapper gastou cerca de R$ 168 mil na casa noturna de luxo Termas Solarium e promoveu uma festa privativa no hotel onde esteve hospedado, reunindo cerca de 40 convidadas e nomes do rap nacional, como Orochi.
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