Band Entretê

De polêmicas no BR à "A Odisseia": Travis Scott vai do rap para Hollywood

Rapper faz estreia de peso no cinema sob o comando de Christopher Nolan, fecha acordo milionário com estúdio e traz show marcado por exigências rígidas ao país

Da redação
DA REDAÇÃO

26/07/2026 • 11:00 • Atualizado em 26/07/2026 • 11:00

Travis Scott será headliner pela primeira vez no RIR

Travis Scott será headliner pela primeira vez no RIR

Reprodução YouTube

Aos 34 anos, Travis Scott consolidou sua reputação como um dos nomes mais influentes do trap mundial e dono da turnê solo de rap de maior arrecadação da história. Agora, o artista norte-americano expande suas fronteiras e ingressa em um novo patamar de mercado ao fazer sua estreia no cinema em A Odisseia, épico dirigido por Christopher Nolan.

Compartilhar

Em entrevista exclusiva à revista Variety, o rapper revelou detalhes dos bastidores de sua participação no filme e detalhou a expansão da Cactus Jack, sua marca de entretenimento e produtos de consumo, que acaba de assinar um contrato de desenvolvimento de projetos com a Paramount Pictures.

Pânico em set italiano e a aprovação de Christopher Nolan

Apesar de acostumado a se apresentar para multidões em estádios lotados, Travis Scott admitiu à Variety que sentiu a pressão logo no primeiro dia de filmagens em um castelo na Itália, onde precisou subir em uma mesa de madeira para recitar o poema clássico de Homero diante do elenco.

"Eu estava morrendo de medo. Não era como a loucura de um show meu ou a gente curtindo uma festa. Era algo sério. Tinha uma câmera na minha cara, o Nolan bem ali e atores do nível de Anne Hathaway, Tom Holland e Robert Pattinson totalmente concentrados nos papéis", revelou o rapper.

A escolha da cena no primeiro dia de gravações foi proposital. Em entrevista à publicação norte-americana, Christopher Nolan contou que colocou o cantor no limite como um teste para a atuação.

"Eu disse a ele: 'Ok, Travis, pule na mesa, comece a recitar a Canção de Ulisses e segure a atenção do ambiente'. Eu não o contratei como músico, mas sim como ator. Queria alguém em cena capaz de declamar versos e prender a atenção da sala de forma crível e moderna, trazendo a emoção da poesia orquestrada que costumava existir na Grécia Antiga", explicou o diretor.

A parceria entre os dois começou em 2020, quando o rapper gravou a faixa dos créditos de Tenet. Em A Odisseia, além da atuação no início do longa, o artista divide com Nolan o crédito de composição da música tema dos créditos finais, intitulada "When I’m Home", produzida ao lado de Ludwig Göransson e com vocais de James Blake.

Acordo com a Paramount e visão de negócios

O papel no longa-metragem marca a transição de Travis Scott para o mercado executivo de Hollywood. Sua empresa, a Cactus Jack — que já acumula parcerias de sucesso com marcas como Nike, Jordan, McDonald's e Fortnite —, assinou um acordo de preferência (first-look deal) com a Paramount Pictures para desenvolver projetos de cinema, televisão e experiências imersivas.

Segundo o copresidente da Paramount Pictures, Josh Greenstein, em declaração à Variety, a capacidade do artista em ditar tendências foi o fator determinante para a parceria comercial:

"A criatividade dele emana de todos os poros, desde as roupas até os carros e a música. O nível de gosto dele move a cultura, e isso é um superpoder", declarou o executivo.

Para o rapper, o objetivo no cinema é resgatar o valor das salas tradicionais de exibição contra a hegemonia dos serviços de streaming.

"É legal ter o streaming, mas precisamos manter os cinemas vivos. É muito preguiçoso ficar no sofá. As pessoas trabalham meses no design de som dos filmes e a maioria nem tem um sistema de som adequado em casa. Ir ao cinema é ver a visão criativa completa", destacou o artista à publicação.

Histórico polêmico e exigências no Brasil

Em sua passagem anterior pelo Brasil, durante o Rock in Rio 2024, Travis Scott acumula episódios tumultuados. Além de atrasar a apresentação em 40 minutos — compensando o público ao vestir uma camisa retrô do Flamengo de 1999 no palco —, o artista criticou a organização do festival durante o show e proibiu a transmissão de sua performance ao vivo pela televisão.

Nos bastidores do The Town, o discurso de "bad boy" se mantém. O cantor exigiu a proibição do tradicional fuso de imprensa (pit de fotógrafos) à beira do palco. Com a restrição, nenhum profissional de imprensa ou cinegrafista está autorizado a registrar as primeiras músicas da apresentação no espaço reservado à frente da estrutura.

Fora dos compromissos profissionais, as passagens do dono dos hits "Goosebumps" e "SICKO Mode" pelo país costumam ser marcadas por ostentação. Em sua última visita ao Rio de Janeiro, o rapper gastou cerca de R$ 168 mil na casa noturna de luxo Termas Solarium e promoveu uma festa privativa no hotel onde esteve hospedado, reunindo cerca de 40 convidadas e nomes do rap nacional, como Orochi.