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De "Imaturo" ao luto em "Memórias Póstumas": relembre todas as eras de Jão

Do sucesso dos covers digitais ao encerramento do ciclo dos quatro elementos, repassamos a evolução estética, musical e emocional da discografia do cantor de "Memórias Póstumas"

Da redação
DA REDAÇÃO

25/07/2026 • 10:00 • Atualizado em 25/07/2026 • 10:00

Jão estreia 'Superturnê' no Allianz Parque

Jão estreia 'Superturnê' no Allianz Parque

Reprodução/Instagram

Poucos artistas da música brasileira contemporânea conseguiram construir uma identidade visual e conceitual tão sólida e bem amarrada quanto Jão. Desde o início de sua trajetória, o cantor e compositor transformou cada álbum de estúdio em uma verdadeira "era", dotada de estética própria, narrativa marcante, paleta de cores definida e guiada por um elemento da natureza.

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O resultado desse cuidado artístico foi uma discografia que acompanhou o amadurecimento pessoal e profissional do cantor paulista, culminando agora no aguardado "Memórias Póstumas", seu quinto álbum de estúdio, que chega às plataformas de streaming neste domingo (26) e marca o encerramento definitivo do ciclo dos quatro elementos.

Todas as eras de Jão: relembre todas as fases da carreira do cantor de “Memórias Póstumas”

Mais do que abrir uma nova fase, o projeto consolida o retorno de Jão após um período de reclusão de mais de um ano e promete entregar o trabalho mais denso e íntimo de sua vida, profundamente impactado pelo processo de luto vivido após o falecimento do pai. Antes de mergulhar neste novo capítulo, relembre todas as eras que moldaram a carreira do astro pop.

Antes da fama: os covers que conquistaram a internet

Muito antes das arenas e estádios lotados, Jão era um jovem apaixonado por música que usava o YouTube como vitrine. Entre 2015 e 2017, o cantor chamou a atenção da internet ao reinterpretar sucessos do pop, sertanejo e MPB com uma assinatura inconfundível: vocal suave, arranjos melancólicos e uma entrega emocional que antecipava a faceta confessional de suas composições.

Sua versão de "Medo Bobo", da dupla Maiara & Maraisa, viralizou e atraiu o olhar atento dos produtores Pedro Dash e Marcelinho Ferraz. O sucesso na rede abriu as portas para um contrato com a gravadora Universal Music.

Em 2016, ele lançou a parceria "Dança pra Mim", com Pedrowl, dando início ao processo de transição da cena independente para o mercado fonográfico de grande porte.

"Imaturo": o nascimento de um fenômeno pop

Em janeiro de 2018, Jão apresentou a faixa "Imaturo", divisor de águas absoluto em sua trajetória. A canção espalhou-se rapidamente pelas plataformas digitais e apresentou ao país um lirismo autêntico, pautado pelas inseguranças, paixões avassaladoras e vulnerabilidades da juventude.

"Imaturo" tornou-se um hino geracional e preparou o terreno perfeito para a sua estreia em formato longo.

Era "Lobos" (2018): aprendendo a sobreviver

O primeiro disco de estúdio inaugurou oficialmente a célebre tetralogia dos quatro elementos. Em "Lobos", o elemento condutor foi a terra, simbolizando origens, instinto, crescimento e sobrevivência.

As faixas mergulhavam em medos profundos, solidão, conflitos afetivos e no incômodo de não pertencimento. Visualmente, a fase foi marcada por tons terrosos, cenários florestais e uma estética minimalista e crua. Músicas como "Vou Morrer Sozinho", "Me Beija com Raiva", "Lobos" e a própria "Imaturo" transformaram o cantor em uma das maiores revelações da música nacional, dando origem à sua primeira turnê pelo país.

Era "Anti-Herói" (2019): amadurecimento e liberdade

Pouco mais de um ano após a estreia, Jão reapareceu transformado. Em "Anti-Herói", o elemento escolhido foi o ar, representando a busca por liberdade, expansão e transformação pessoal.

O álbum passou a explorar as dores de relacionamentos complexos, os impactos da fama e dilemas internos sob uma ótica mais madura, acompanhada por uma produção musical refinada. A identidade visual abandonou as cores terrosas e apostou no branco, cinza, imagens de céus e nuvens.

Sucessos como "Enquanto Me Beija", "Louquinho" e "Essa Eu Fiz pro Nosso Amor" colocaram todas as faixas do disco entre as mais ouvidas do Spotify Brasil no dia do lançamento.

Era "Pirata" (2021): navegando pelas emoções

Na sequência do ar, chegou a vez de explorar a água. Com "Pirata", Jão abordou temas como desejo, liberdade, descobertas amorosas, sexualidade e recomeços em seu projeto mais romântico e intenso.

O universo marítimo esteve presente em todas as pontas da divulgação: capas, figurinos, cenários de shows e videoclipes. Músicas como "Coringa", "Idiota", "Não Te Amo" e "Meninos e Meninas" tornaram-se grandes sucessos da música pop, enquanto a Turnê Pirata elevou a estrutura de seus espetáculos e expandiu consideravelmente seu público.

Era "Super" (2023–2025): fogo, estádios e consagração

O encerramento do ciclo dos elementos veio em tom de superprodução. Representando o fogo, "Super" foi pensado desde a concepção para preencher grandes arenas e estádios. Para anunciar a fase, Jão limpou suas redes sociais, adotou o tom vermelho-vivo e surgiu loiro, mobilizando os fãs em uma mega campanha de marketing.

O disco tratou de renascimento, força, transformação e coragem, com arranjos grandiosos feitos para coros de multidões. A SuperTurnê percorreu o país celebrando todas as fases de sua carreira com estrutura de nível internacional, sendo posteriormente alimentada pelo projeto expandido "Supernova".

O show na íntegra foi gravado e disponibilizado por Jão em seu canal no YouTube. Confira:

"Memórias Póstumas" (2026): o recomeço após o luto

Após concluir a caminhada do fogo, Jão fez uma pausa necessária na carreira e permaneceu recolhido por mais de um ano. Agora, o cantor retorna aos holofotes com "Memórias Póstumas", projeto que rompe de forma definitiva com a fórmula dos quatro elementos. Pela primeira vez na discografia do artista, não há um elemento da natureza regendo o conceito do álbum.

Nascido do doloroso processo de luto vivenciado pelo cantor após o falecimento do pai, o trabalho busca debater perdas, memórias, saudades e reconstrução emocional. Fazendo referência direta ao clássico literário de Machado de Assis, o disco propõe uma reflexão poética sobre a impermanência.

Veja o trailer oficial da nova era de Jão:

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