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Flávia Guerra analisa legado de Brigitte Bardot: "Liberdade feminina"

Crítica de cinema comenta morte do ícone francês, relembra transição das telas para o ativismo animal e destaca como a atriz rompeu barreiras comportamentais

3 min

28/12/2025 11:54 • Atualizado há 301 dias

Flávia Guerra analisa legado de Brigitte Bardot: "Liberdade feminina"

O cinema mundial e a cultura francesa perderam um de seus pilares mais controversos e fascinantes neste domingo, 28 de dezembro. A morte de Brigitte Bardot encerra um capítulo da história da sétima arte, visto que ela foi uma jovem que desafiou o conservadorismo de sua época.

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Em entrevista à BandNews TV, a crítica de cinema Flávia Guerra analisou a trajetória da estrela, que foi de símbolo sexual absoluto a ativista ferrenha da causa animal, deixando um legado que mistura liberdade, moda e polêmicas.

Para a especialista, entender Bardot exige olhar para o contexto do pós-guerra. A atriz, vinda de uma família burguesa e conservadora de Paris, foi alçada à fama mundial muito cedo.

"Ela era uma menina que estava saindo da casca e já foi alçada à categoria de estrela e símbolo sexual. Isso mexeu muito com a formação de caráter dela", avalia Flávia.

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O casamento aos 18 anos com o diretor Roger Vadim e o lançamento do filme E Deus Criou a Mulher (1956) foram os detonadores dessa explosão. "O caráter dela foi formado nessa toada de ser a mulher que representa a liberdade feminina. A sociedade queria tudo, queria ir para a rua, queria ir para a praia de biquíni", explica a crítica.

De objeto de cena a ícone "cult"

Embora tenha sido celebrada como a libertação feminina, Bardot viveu o peso da objetificação. Segundo Flávia Guerra, durante boa parte do início da carreira, a atriz foi tratada mais como um "objeto" de desejo do que como um sujeito de sua própria história.

Quando começou a assumir as rédeas de sua imagem, Bardot buscou trabalhar com cineastas mais intelectuais, como Jean-Luc Godard.

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Guerra destaca o filme O Desprezo como um marco dessa fase. Na trama, a personagem de Bardot desconfia que o marido está usando sua beleza como isca para seduzir um produtor.

"Esse filme fala muito do que foi muitas vezes a vida da Bardot: um objeto ali no set, de beleza maravilhosa, que revolucionou a moda, mas que sofria com a forma como era tratada dentro dessas produções", analisa a especialista.

O rompimento radical e o isolamento

O cansaço com a indústria e com o assédio da mídia levou a uma decisão drástica. Diferente de outras musas de sua geração, como Catherine Deneuve, que segue atuando, Bardot rompeu com o show business entre as décadas de 1960 e 1970.

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Ela foi de um extremo ao outro. Quando cansou de ser sempre essa figura e não conseguia avançar, ela rompeu com tudo e foi cuidar dos animais, relembra Flávia.

A crítica ressalta que, nos últimos anos, a atriz se recusava a aparecer em frente às câmeras, preferindo dar entrevistas de costas ou apenas por áudio, focando totalmente em seu ativismo. "Ela negou a imagem que foi tão explorada. Foi assim que ela quis ser reconhecida no fim", completa.

Influência na moda e o fim polêmico

Além do cinema, o impacto de Brigitte no comportamento é inegável. Flávia Guerra recorda que a atriz foi responsável por popularizar o uso de sapatilhas no dia a dia, um item que, até então, era restrito ao ballet.

"A marca Repetto desenvolveu a primeira coleção porque a Bardot pediu para usar nos filmes. Ela queria liberdade para andar, não queria ficar usando só salto. Hoje parece bobagem, mas a sapatilha se tornou um ícone da liberdade que essa mulher queria ter", pontua.

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No entanto, a biografia da estrela não é feita apenas de glamour. A crítica de cinema pontua que o final da vida de Bardot foi manchado por controvérsias, incluindo declarações xenofóbicas e uma relação conturbada com a maternidade.

"Ela não soube encontrar o papel de mãe naquele lugar de liberdade. Hoje, talvez, ela tivesse uma sociedade que acolhesse melhor todos esses desejos. Naquela época, ela não conseguiu", finaliza Guerra.

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