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Brigitte Bardot, ícone do cinema francês, morre aos 91 anos

Informação foi divulgada neste domingo (28) pela fundação que leva o nome da artista

da redação com deutsche welle
DA REDAÇÃO COM DEUTSCHE WELLE

28/12/2025 • 07:14 • Atualizado em 28/12/2025 • 07:14

A atriz Brigitte Bardot, ícone do cinema francês e ativista dos direitos dos animais, morreu aos 91 anos. A informação foi divulgada neste domingo (28) pela fundação que leva o nome da artista.

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No comunicado, a Fundação Brigitte Bardot não informou a causa, data ou o local da morte da artista.

"A Fundação Brigitte Bardot anuncia com imensa tristeza o falecimento de sua fundadora e presidente, Brigitte Bardot, a atriz e cantora mundialmente famosa, que optou por abandonar sua prestigiosa carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua Fundação", diz o comunicado.

Brigitte Bardot nasceu em 28 de setembro de 1934 em Paris, na França. Ela se formou em balé clássico pelo Conservatório de Música e Dança da capital francesa antes de iniciar sua trajetória como atriz.

Aos 15 anos, começou a fazer trabalhos como modelo. Ela foi contratada pela revista francesa Elle para ser modelo da coleção juvenil. A capa da revista chamou a atenção de cineastas, que a convidaram para um teste para um filme. Bardot foi escolhida para o papel, porém, o longa não foi filmado.

Em 1952, Brigitte Bardot estreou no cinema com o filme, mas só ganhou destaque mundial com seu papel em E Deus Criou a Mulher (1956), dirigido pelo seu então marido Roger Vadim.

O filme que abordou sexualidade transformou a artista em um fenômeno. No entanto, o longa sofreu censuras em alguns países. Nos Estados Unidos, o filme foi considerado explicito demais para o cinema da época.

Nos anos seguintes, ela se consolidou como uma femme fatale. Apareceu em mais de 40 filmes, incluindo A Verdade (1960), de Henri-Georges Clouzot, O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, e Viva Maria! (1965), de Louis Malle.

Da música ao encerramento da carreira como atriz

A artista também gravou músicas pop nas décadas de 1960 e 1970, incluindo com Serge Gainsbourg e Sacha Distel. Como modelo, foi musa de estilistas de grandes casas de moda, incluindo Dior, Balmain e Pierre Cardin.

Devido ao seu estilo de vida hedonista, que também abraçava fora das telas, tornou-se um ícone da revolução sexual da época.

Após se divorciar de Roger Vadim em 1957, teve vários casos amorosos lendários, incluindo com seu colega de elenco, o ator Jean-Louis Trintignant. Os dois se tornaram um casal dos sonhos no cinema francês, tanto dentro quanto fora das telas.

Descrita como a "locomotiva da história das mulheres", Bardot foi celebrada pela pensadora feminista Simone de Beauvoir em um ensaio de 1959 intitulado Brigitte Bardot e a Síndrome de Lolita como a mulher mais livre da história da França do pós-guerra.

Bardot encerrou a carreira de atriz em 1973, mas permaneceu uma estrela por toda a vida.

Bardot usou a fama para defender mais direitos e proteção dos animais

O foco da mídia na vida privada de Bardot mudou um pouco à medida que ela passou a se dedicar cada vez ao ativismo. A partir do início da década de 1960, ela usou sua fama global para defender mais direitos e proteção dos animais, algo que se tornaria a causa de sua vida.

Desde o início, ela defendeu a introdução de pistolas de dardo cativo em matadouros para garantir que o abate de animais seja o mais indolor possível. A partir de 1976, juntou-se a uma campanha global contra a caça à foca. Em 1986, fundou a Fundação Brigitte Bardot, que defende o bem-estar animal em todo o mundo.

Flerte com a ultradireita

Em 2021, Brigitte Bardot teve que pagar uma multa de 20 mil euros por comentários racistas sobre habitantes da Ilha da Reunião, no Oceano Índico, após escrever uma carta ao governo do território criticando supostos maus-tratos a animais.

Mas não foi a primeira vez que Bardot se envolveu em polêmicas do tipo. Ela foi multada diversas vezes por incitar o ódio contra muçulmanos. Em 2004, um tribunal francês a condenou por incitação ao ódio racial por causa de um livro em que ela censurava muçulmanos por matarem animais e alegava que a França estava sendo subvertida.

Desde que apoiou o candidato presidencial conservador Valéry Giscard d'Estaing contra o socialista François Mitterrand em 1974, Bardot pendeu diversas vezes para a direita. Um exemplo é o flerte dela com o partido populista de direita Frente Nacional, atual Reunião Nacional.

Em uma entrevista de 2014 à revista Paris Match, ela elogiou Marine Le Pen, então líder da Frente Nacional, como "a Joana d'Arc do século 21" que "salvaria a França".

Controvérsias

Bardot também se manifestou repetidamente sobre questões de gênero. Após algumas declarações bastante ambivalentes sobre a cena gay, ela negou ser homofóbica, citando ter muitos amigos homossexuais. Ao mesmo tempo, culpou o número de operações de mudança de sexo pelo aumento exorbitante dos custos com saúde.

Durante o debate #MeToo sobre assédio sexual na indústria cinematográfica, ela afirmou que muitas atrizes "provocavam" produtores para conseguir um papel. "E então elas dizem que foram assediadas, para que falemos sobre elas."

Apesar de suas muitas declarações e posicionamentos controversos, Brigitte Bardot permaneceu um ícone nacional até o fim de sua vida. Não é coincidência que "BB" tenha servido diversas vezes de modelo para bustos da figura nacional francesa Marianne.