
Kanye West
Arquivo/Reuters
Kanye West, agora atendendo por Ye, rebateu as críticas de que sua recente carta de desculpas publicada no The Wall Street Journal seria uma estratégia de marketing. Em entrevista à Vanity Fair, o rapper negou que o gesto tenha qualquer relação com o lançamento de seu novo álbum, Bully, previsto para chegar às plataformas nesta sexta-feira (30).
A proximidade entre o pedido de perdão e a estreia do disco levantou debates sobre se o ato seria um arrependimento genuíno ou uma tentativa de limpar a imagem para impulsionar vendas. Ye, no entanto, foi enfático: sua relevância comercial segue intacta.
"Não preciso de relançamento"
Ao responder à revista por e-mail, o artista destacou seus números de 2025, ano em que figurou entre os dez artistas mais ouvidos dos EUA no Spotify, sustentado por seu catálogo antigo. Para ele, esses dados comprovam que não há necessidade de artifícios para reaquecer sua carreira.
Segundo Ye, a carta nasceu de um "peso emocional acumulado" e da necessidade de se posicionar no "lado do amor e da positividade", rejeitando o ódio que marcou sua persona pública nos últimos anos. Em novembro, a prefeitura de SP vetou show do rapper em Interlagos.
No texto ao WSJ, Ye pede perdão às comunidades judaica e negra, atribuindo seus discursos de ódio a uma combinação de transtornos mentais não tratados e danos cerebrais. Ele rejeita qualquer associação com o nazismo e admite a gravidade de suas ações passadas.
O rapper revelou que, no início de 2025, atravessou um episódio maníaco de quatro meses. Foi nesse período que retomou retóricas antissemitas, comercializou produtos com suásticas e lançou a faixa Heil Hitler. Ele descreve que, durante o surto, perdeu a noção do impacto de suas palavras, o que resultou na destruição de laços familiares e amizades antigas.
Reabilitação na Suíça
Na entrevista, Ye detalhou seu processo de recuperação. Após o fim do episódio maníaco, uma mudança na medicação antipsicótica desencadeou um quadro depressivo severo. Incentivado por sua esposa, Bianca Censori, ele buscou tratamento em uma clínica na Suíça.
O artista afirmou que não busca um "passe livre" ou indulgência do público, mas sim compreensão enquanto tenta equilibrar o tratamento psiquiátrico com mudanças no estilo de vida. O foco agora, segundo ele, é canalizar a energia criativa para a música e o design de forma construtiva.
*Com informações da Agência Estado.

