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Manuela Dias explica por que manteve Odete Roitman viva em Vale Tudo

Autora do folhetim afirma que alteração na história original teve relação com simbolismo sobre a elite e o poder instituído

Da redação
DA REDAÇÃO

27/07/2026 • 19:44 • Atualizado em 27/07/2026 • 19:47

Odete Roitman foi morta no Copacabana Palace

Odete Roitman foi morta no Copacabana Palace

Reprodução/TV Globo

A escritora Manuela Dias detalhou as razões que a levaram a alterar o desfecho de Odete Roitman, personagem clássica da teledramaturgia durante entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia, nesta segunda-feira (27). Ao responder a uma ouvinte no programa Jornal da Bahia no Ar, a autora explicou que a decisão de não matar a vilã interpretada por Débora Bloch esteve diretamente ligada à mensagem pretendida no remake exibido em 2025.

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Segundo a roteirista, a escolha buscou representar um simbolismo social. "Por que não matei a Odete? Porque a elite não morre. Às vezes, infelizmente. A elite e o poder instituído mudam para continuar igual. É como o capitalismo. Então, para mim, fez todo sentido que a Odete ficasse viva", afirmou.

Outra modificação marcante na trama envolveu o personagem Leonardo Roitman, interpretado por Guilherme Magon. Na história, o filho da vilã permaneceu vivo e escondido da família, ideia que a autora revelou ter tido no meio da noite. Para a dramaturga, a revelação sobre o jovem impulsionou os índices de transmissão. "Isso foi a grande decolada da novela em termos de Ibope", disse ela ao relembrar o processo criativo.

A autora também contou que a reação do público foi acompanhada de perto pela TV Globo por meio de pesquisas de audiência e grupos de discussão. Conforme relatou a escritora, os dados obtidos cerca de um mês e meio após a estreia indicaram que as alterações despertavam maior atenção dos telespectadores. "Ficou evidente que, apesar daquela resistência natural e bem-vinda, quando aumentava o Ibope? Quando eu mudava", ressaltou.

Apesar das críticas registradas nas redes sociais por conta das adaptações no folhetim dos anos 1980, Manuela avaliou as reações de forma positiva. Ela ressaltou que enxergou o projeto como uma oportunidade de aprendizado.

"Sempre vi Vale Tudo como uma grande oportunidade, como se eu estivesse fazendo um PhD. Assisti à versão original quando tinha 11 anos", disse. Para ela, as reclamações demonstraram o engajamento do público com a história. "Reclamar quer dizer se importar. A novela foi propondo esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela toda igual", concluiu.

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