O chef de cozinha Edson Leite é o convidado da prova de eliminação do MasterChef 2026 desta terça-feira (21). No desafio, os participantes terão que usar a criatividade para criar um prato usando cascas, sementes, talos e carcaças de animais, evitando o desperdício dos insumos.
Edson Leite é um especialista quando o assunto é o consumo consciente dos alimentos. Nascido na periferia de São Paulo, o chef começou na cozinha "meio que sem querer", como ele mesmo explica. "Eu lavava pratos e fui parar no lugar de um cozinheiro que faltou, aí eu descobri que tinha talento para aquilo", relembra.
Foi trabalhando em lugares como hospitais e navios que ele passou a prestar mais atenção no aproveitamento integral dos insumos. "Você tem uma limitação de volume e de tempo, e isso foi me moldando nessa relação contra o desperdício", conta.
"Essa relação contra o desperdício vem pelo fato de jogarmos comida fora com muitas pessoas passando fome, mas se mantém pela questão técnica, de fazer uma bela lista de compras e pensar no alimento a longo prazo, não só no imediatismo daquilo que você precisa dentro da cozinha."

Edson Leite avalia pratos na eliminação do 9º episódio do MasterChef 2026 (Créditos: Renato Pizzutto/Band)
Gastronomia periférica
É neste contexto que nasce a gastronomia periférica, uma forma de levar todo esse conhecimento para quem está na periferia das cidades. Além da escola de gastronomia, há ainda os restaurantes-escola, nos quais a teoria vira prática. "Não tem cardápio. A gente faz [os pratos] com o que a gente tem no dia", explica.
Para Edson, a gastronomia é, em sua base, periférica. "Quem cozinha em um restaurante é periférico. O produtor é periférico, o motorista é periférico, o garçom é periférico, o bartender é periférico, seja em um restaurante de alta performance ou um restaurante de uma escola ou hospital", defende.
E, mesmo que exista uma certa glamourização da gastronomia, a realidade é bem diferente, inclusive quando se fala em remuneração. "A gente precisa valorizar essas pessoas, assim como um médico ou um juiz, inclusive na remuneração", pontua Edson. "Estamos falando de quem alimenta essas outras profissões."
Para o chef, essa valorização passa pela capacitação profissional. "A capacitação, qualificação e profissionalização de quem está dentro da periferia é necessária para que a gente não tenha cozinheiros ganhando um salário-mínimo somente", analisa.
Caminhos para solucionar o desperdício
Pensar em como aproveitar os alimentos de forma integral pode não resolver o problema da fome no Brasil em sua integralidade, mas consegue mitigar um custo dentro da cadeia de produção. "O desperdício não é só jogar comida fora. É jogar dinheiro e nutriente fora", afirma o chef.
Edson defende que essa forma de pensar também se estenda para os restaurantes. "A gente precisa ter uma área de desperdício. Tudo que não foi utilizado dentro dessa cozinha vai para essa área, e ela tem que pensar no que fazer com isso", descreve. "Os caminhos a gente tem, é necessário quebrar, na real, esse ciclo."
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