Melhor da Noite

Vício em pornografia é tão buscado quanto tabagismo no Brasil

Sexóloga comenta sobre impactos do consumo exagerado de conteúdos eróticos

Luccas Balacci
LUCCAS BALACCI

12/05/2025 • 17:08 • Atualizado em 12/05/2025 • 17:08

O vício em pornografia é uma preocupação crescente no Brasil. Dados da Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, mostram que o interesse de buscas pelo assunto atingiu um pico neste ano, seguindo uma tendência de alta constante desde 2020 – em relação ao ano passado, o índice avançou 28%.

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Para termos noção, as pesquisas relacionadas ao tema empatam com o interesse por tabagismo, a dependência em nicotina, tão comumente discutido na sociedade. O dado reforça o papel do buscador como um “confessionário”, em que pessoas digitam o que podem não se sentir confortáveis para dividir com amigos, familiares ou mesmo profissionais de saúde.

As perguntas feitas pelos brasileiros na plataforma no último ano também revelam o uso do Google como um pedido de ajuda. Entre as principais dúvidas feitas sobre pornografia nos últimos cinco anos no Brasil, destacam-se questões como “Como se livrar da pornografia?” e “Como parar de ver pornografia?.

No quadro Sexonário, do Melhor da Noite, com apresentação de Otaviano Costa, a colunista e sexóloga Cátia Damasceno destaca a influência da digitalização no consumo de conteúdo pornográfico. “A gente vê esse movimento da pandemia para cá. Todo vício gera dopamina, é nela que a pessoa vicia. O primeiro passo para sair dessa condição é parar de consumir e, em muitos casos, de pagar pela pornografia”, afirma.

Segundo a especialista, a dependência é muito ligada a questões emocionais, que podem afetar todos os tipos de pessoas. “É preciso ter apoio profissional e psicológico. A terapia é essencial e, em casos mais graves, pode ser necessária até mesmo uma intervenção medicamentosa.”

O consumo exagerado de pornografia pode, inclusive, afetar relacionamentos amorosos. “As cenas muitas vezes são curtas, ou a pessoa acaba pulando de um vídeo para o outro, conforme esse estímulo, esse pico de dopamina, vai caindo. Só que em uma relação sexual não existe isso de trocar de cena, ou de parceiro. Precisamos nos aprofundar nas relações reais para aproveitarmos mais.”

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