
Ivete Sangalo abriu o pré-carnaval de São Paulo
Sergio Barzaghi/SECOM
O Carnaval de Rua de São Paulo em 2026 foi um verdadeiro estudo de comportamento humano e digital. De um lado, a estreante mais aguardada do axé, Ivete Sangalo, ocupando o Ibirapuera. Do outro, o fenômeno mundial da EDM, Calvin Harris, transformando a Rua da Consolação em uma pista de dança a céu aberto.
Se nas redes sociais o clima era de "batalha de gigantes", os dados do Google Trends, apurados pela Sala Digital, mostram que na realidade do asfalto cada um jogou um jogo diferente.
Ivete Sangalo x Calvin Harris
No termômetro das buscas, a disputa ganhou contornos distintos. Calvin Harris venceu no impacto inicial. Dados do Google Trends mostram que o bloco do DJ escocês teve um “aumento repentino” de interesse ao longo da semana, um pico típico de assuntos que surgem inesperadamente e despertam curiosidade imediata.
Na prática, o público correu ao Google para entender o que, afinal, seria um DJ internacional comandando um trio elétrico em São Paulo.
Ivete Sangalo, por outro lado, apresentou um desempenho mais previsível (o que não significa menos expressivo). As buscas cresceram 7%, um avanço moderado que reflete um público já consolidado e fiel. Diferentemente da curiosidade em torno de Calvin Harris, o interesse por Ivete partiu de quem já sabia o que esperar: um bloco lotado, com repertório conhecido e um encontro que, mais do que uma aposta, já era tratado como certo pelo folião.
Veja o gráfico na íntegra aqui:

Interesse dos brasileiros por Calvin Harris e Ivete Sangalo Reprodução/ Google Trends
A prova real: 1,2 milhão de vozes contra o caos da Consolação
Quando o cronômetro zerou e os trios saíram, a "vitória" de Ivete Sangalo foi desenhada em números oficiais: 1,2 milhão de foliões lotaram o entorno do Ibirapuera. Foi a maior estreia da história do Carnaval paulistano.
Mas o sucesso de Mainha não foi apenas quantitativo. Mesmo com a superlotação que chegou a interromper o desfile por 50 minutos no "funil" da Alesp, Ivete deu uma aula de comando. Com uma "bronca elegante", ela orientou o fluxo, pediu calma e conseguiu retomar a festa com segurança, terminando o percurso sem ocorrências graves registradas pela PM.
No domingo, o cenário de Calvin Harris foi mais dramático. O interesse digital que "disparou" se traduziu em uma multidão que a Rua da Consolação teve dificuldade em comportar. O resultado? Grades de proteção derrubadas, empurra-empurra e diversas pessoas passando mal. O cantor Felipe Amorim, que abria o evento, precisou parar o show diversas vezes para acionar os bombeiros e socorrer foliões. O que era para ser uma balada épica virou, em muitos momentos, um teste de sobrevivência para quem estava no meio do tumulto.
Quem levou a melhor?
Se a batalha fosse decidida apenas pelo "buzz" e pela novidade, Calvin Harris teria o troféu pelo impacto súbito nos buscadores. No entanto, o Carnaval de São Paulo mostrou que a experiência de rua conta… E reina.
Ivete Sangalo não apenas arrastou uma multidão maior, como provou que seu público, embora estável nos dados, é imbatível na organização orgânica. No fim das contas, a capital paulista provou que tem espaço para o drop do eletrônico e para o "levante o braço" do axé, mas que o comando de palco de quem conhece o trio elétrico ainda faz toda a diferença quando um milhão de pessoas resolvem pular juntas.
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