Chris Flores criticou as justificativas utilizadas pela Justiça para conceder o perdão judicial a Monique Medeiros no caso da morte de seu filho, Henry Borel, ocorrida em 2021. Durante o programa Melhor da Tarde desta quinta-feira (4), a apresentadora contestou a decisão da magistrada Elizabeth Machado Louro, que associou a pressão social sobre Monique a uma cultura patriarcal e misógina.
Para Chris Flores, o uso de conceitos do feminismo para atenuar a conduta da mãe do menino é equivocado. Ela avalia que a tentativa de justificar a omissão materna através de pautas identitárias termina por prejudicar o próprio movimento das mulheres.
Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique Medeiros foi alvo de uma reação desproporcional e discriminatória de gênero. Segundo o texto jurídico, a sociedade influenciada pelo patriarcado exige que a mulher seja uma "mãe perfeita", algo que não bastaria para o tribunal da opinião pública.
A magistrada consignou ainda que, se o pai estivesse na mesma situação omissiva, possivelmente sequer teria sido processado. Monique foi absolvida da acusação de homicídio, enquanto Jairinho, seu ex-companheiro, recebeu uma pena de mais de 43 anos de prisão.
Omissão e conivência em debate
Chris Flores ressalta que, embora estude o feminismo academicamente, os conceitos não se aplicam a este caso específico. “Inclusive, eu acho que invalida toda a luta feminista um discurso desse atrelado a uma mulher desta. É um desserviço”, declara a apresentadora.
Janaina Nunes concorda com a indignação e destaca que Monique Medeiros sabia das agressões sofridas pela criança. Ela relembra que as babás testemunharam sobre o envio de fotos e mensagens alertando a mãe, que teria pedido para apagar os registros.
“Se isso não for conivência, eu não sei o que é. Ela foi muito mais julgada por ser mulher do que o Jairinho, concordo, mas deveria pegar no mínimo 12 anos de cadeia”, analisa Janaina Nunes.
Provas de conhecimento prévio
O programa relembrou prints de conversas entre a babá Tainá e Monique Medeiros. Nas mensagens, a funcionária relata que Jairinho se trancava no quarto com Henry, ligava a televisão em volume alto e a criança saía machucada ou mancando.
Chris Flores enfatiza a resposta de Monique à babá ao ver a foto do filho machucado: "Deu ruim?". Para a apresentadora, essa fala demonstra que Monique não estava surpresa com a violência e já esperava pelo pior.
A apresentadora questiona a atitude da mãe, que estava no shopping no momento da agressão e não voltou para casa imediatamente. "Numa hora dessas, você já teria largado tudo e ido correndo. A gente cria asas", comenta Chris Flores sobre a falta de instinto de proteção.
O discurso é perfeito. Assino embaixo dele e acredito que poderia ser usado em outras circunstâncias. Mas, no caso dessa mulher narcisista e omissa, que deixou o filho morrer, que deixou o filho morrer...
Comportamento pós-crime é questionado
Outro ponto levantado na análise foi a postura de Monique Medeiros após a morte de Henry Borel. Imagens do celular da acusada mostram que ela escolheu roupas cuidadosamente e chegou a tirar selfies sorrindo dentro da delegacia no dia do depoimento.
“Você acabou de perder o seu filho e está preocupada com o look para ir depor? Sério mesmo? Que exemplo de pessoa, que exemplo de mulher”, questiona Chris Flores. Ela cita ainda o episódio em que Monique foi ao salão colocar mega hair um dia após o enterro da criança.
Janaina Nunes finaliza o debate reforçando que o amor materno deve ser incondicional e a proteção da criança deve estar acima de qualquer relação amorosa. Ela lembra que Henry tinha um pai presente que queria a guarda do menino.
A apresentadora reafirma sua posição de que o discurso da juíza é pertinente em outros contextos, mas inaplicável a Monique. "Não dá para a gente compactuar com isso e achar que não, é só porque ela foi mulher. Não é porque ela foi mulher", diz a Chris Flores, que conclui:
O maior amor que temos na vida é o incondicional. Se uma pessoa não muda para melhor sendo mãe, ela não muda nunca mais.
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